Número 1 da Procuradoria Regional Eleitoral do Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais, o procurador Patrick Salgado Martins está em compasso de espera para ser reconduzido ao cargo pelo Procurador Geral da República (PGR), Rodrigo Janot. Em março, o entrevistado de amanhã da “Página 2” do Hoje em Dia deverá ser reeleito por ampla maioria de seus 64 colegas em votação secreta.

Neste ano, caberá a ele comandar a fiscalização das eleições municipais nas 853 cidades do segundo maior colégio eleitoral do país, orientando e dando suporte para atuação dos promotores de Justiça do interior.

Além dessa tarefa, acompanhará os processos movidos por ele mesmo que podem culminar com a cassação do mandato do governador Fernando Pimentel (PT) e do vice dele, Antônio Andrade (PMDB) por abuso de poder econômico e captação de recursos de origem ilícita. Já com as contas de campanha rejeitadas, o processo eleitoral ganhou maior envergadura com as revelações da operação Acrônimo da Polícia Federal (PF).

A atuação para coibir a compra de votos no interior e os processos contra o governador foram temas abordados na entrevista exclusiva para o Hoje em Dia.

Na conversa, Salgado analisou o impacto do veto do financiamento empresarial nas eleições de outubro, o limite dos financiamentos, considerado por ele um dos maiores avanços da última minirreforma política. E criticou duramente à Justiça eleitoral por exigir declaração de bens dos candidatos que, na realidade, não condizem com o verdadeiro patrimônio ostentado pelo postulante. “Não deveria nem existir”, afirmou.

O procurador ressaltou também a dependência da população, especialmente dos chamados grotões do Norte de Minas e Vale do Jequitinhonha, da estrutura logística das prefeituras.

“As cidades não tem vida própria. Muitos cargos na prefeitura são de livre nomeação, não são cargos de concursos públicos. Acaba que a sociedade vive no entorno da prefeitura, recebendo benesses do órgão municipal”.

Além das questões envolvendo diretamente o futuro político do chefe do Executivo estadual, o procurador eleitoral vem promovendo uma verdadeira cruzada na tentativa coibir irregularidades no interior de Minas e nos partidos políticos. Processou 22 partidos por descumprimento de regras na propaganda política na TV e rádio. Ajuizou 69 ações de perda de mandato contra vereadores que, no curso de seus mandatos, pediram desfiliação dos partidos pelos quais foram eleitos.