Admirador de carros antigos e de luxo, o empresário Zwi Skornicki ficou ontem sem sua coleção de automóveis na Operação Acarajé, a 23.ª fase da Lava Jato. As imagens divulgadas pela Polícia Federal mostram dez veículos que foram recolhidos, entre eles, um Alfa Romeo Spider, um Mercedes-Benz 280 SL Pagoda e um Porshe 911 Targa 1978. O engenheiro também teve recolhidas obras de arte e uma lancha.

Os automóveis foram apreendidos nos imóveis do empresário, no Rio e em Mangaratiba, onde os policiais levaram um iate da marca italiana Ferretti. O barco foi adquirido na empresa Elo Náutico, do empresário Milton Strauss.

"Meu relacionamento com ele (Skornicki) é mais comercial que de amizade. Mas o considero uma pessoa séria. É um homem muito inteligente", disse Strauss. Ele não revelou o modelo nem o preço do iate comprado por Skornicki, mas as embarcações da marca custam de R$ 3 milhões a R$ 20 milhões.

Em fevereiro do ano passado, o engenheiro teve parte do seu acervo apreendido na Lava Jato. Ao todo, foram 48 obras de arte avaliadas em mais de R$ 10 milhões. Com 42 anos de atuação na área de petróleo e gás, Skornicki foi diretor superintendente da Odebrecht Perfuração Limitada e sócio de Alfeu Valença, ex-presidente da Petrobras, durante sete anos, na consultoria Conpet.

Desde 1988, possui a Eagle do Brasil, em sociedade com a mulher, Eloisa, e o filho Bruno. A empresa funciona em um prédio comercial na Rua da Quitanda, no centro do Rio. O endereço é o mesmo da Keppel Fels, estaleiro que Skornicki representa no Brasil.

De acordo com a força-tarefa da Lava Jato com base em relatório da Receita Federal, o patrimônio de Skornicki aumentou 35 vezes entre 2003 e 2013. De R$ 1,8 milhão, passou para R$ 63,2 milhões nesse intervalo.