Servidores da Segurança Pública de Minas vão usar as redes sociais para pressionar os deputados estaduais a derrubar os dois vetos do governador Romeu Zema (Novo) ao Projeto de Lei 1451/20, do próprio Executivo, que trata da recomposição salarial das polícias Militar, Civil, Penal e do Corpo de Bombeiros, além de outras instituições do setor.

A estratégia foi decidida na manhã de ontem durante audiência pública da comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa. Apesar de pública, a audiência não teve plateia, em razão da precaução do Legislativo contra o coronavírus. Após o evento, contudo, os parlamentares se encontraram com cerca de 50 representantes da categoria, reunidos na área externa do Parlamento.

Os vetos aos artigos 2 e 3 reduziram o percentual de recomposição anteriormente negociado entre a equipe de Zema e os deputados da “bancada da bala”, de 41,74% para 13%. A diferença total seria incorporada em três parcelas anuais (2020, 2021 e 2022) e causaria um acréscimo de R$ 9 bilhões ao erário. 

Zema, embora autor da proposta, autorizou apenas a primeira parcela (13%), alegando efeitos da crise econômica agravada pelo coronavírus. O mesmo projeto recebeu emendas para estender a recomposição a outras classes, como saúde e educação. Todas também foram vetadas.

Na audiência de ontem, deputados criticaram o governador e o partido Novo. Ficou acertado entre os servidores a importância da pressão aos parlamentares, por meio de redes sociais (emails, WhatsApp, Instagram, Facebook), para conseguir derrubar os vetos.

“Na verdade, foi uma desculpa esfarrapada (de Zema). A fundamentação do veto foi muito frágil. O governador queria mesmo era dar uma satisfação ao Partido Novo. Queria dar uma satisfação ao Novo e não aos servidores da Segurança Pública, que deveriam ter honrado o compromisso. Se o governador não tem palavra, nós confiamos na palavra e na coerência dos deputados, que por 66 votos aprovaram o projeto”, disse o presidente da comissão de Segurança Pública, Sargento Rodrigues (PTB).