Após o termino da Segunda Guerra Mundial, o engenheiro Ferdnand Porsche decidiu fundar sua fábrica de esportivos com base no Volkswagen (que ele tinha projetado). O carro dele, o 356, recorreria a alguns componentes do Fusca, mas atuaria num segmento diferente para não concorrer com a VW. E certamente ele não imaginaria que sua marca se tornaria uma espécie de religião, com admiradores, colecionadores, restauradores e preparadores cativos dos cupês em forma de gota.

E a Califórnia se tornou uma espécie de celeiro de oficinas especializadas em Porsche, como a Singer Design, assim como a garagem de Magnus Walker e a Emory Motorsports. A diferença entre o último e os dois primeiros é que na Emory só se trabalha com 356.

Além de restaurar, a empresa desenvolve projetos Outlaw. Numa tradução literal seria “fora da lei”. E o mais novo projeto “marginal” da casa é o 356 RSR Outlaw. 

O projeto
Esse carro é fruto de um trabalho de cinco anos. Para os colecionadores e fãs ortodoxos da Porsche, é quase um pecado. Rod Emory, dono da empresa, não teve dó de recortar a carroceria de um 356 (que ficou em linha entre (1948 e 1965) e instalou o sistema de suspensão de um 911 (964), assim como refez totalmente a seção traseira do cupê para encaixar o motor Emory-Rothsport Outlaw-4. 

Trata-se de uma unidade 2.6 litros quatro cilindros boxer, com refrigeração a ar (como o do Fusca), fabricado pela própria Emory, inclusive com uso de fundição em areia. A unidade recebeu dois turbocompressores, um para cada par de pistões, e entrega nada menos que 400 cv. Para um carrinho que pesa cerca de 900 quilos são menos de dois quilos para cada cavalo-vapor.

Porsche 356 RSR Outlaw

A inspiração
O estilo do 356 RSR Outlaw tem como inspiração o bólido de corridas 935 “Moby Dick”, um predador das pistas de 1976 a 1981.

A parte frontal tem elementos que remetem ao 911 GT1, da década de 1990. Já a traseira alargada e com o motor à mostra, só dá a entender que se trata de um 356 devido a uma pequena moldura que ostenta as lanternas do velho cupê e a inscrição Porsche.

E quando visto lateralmente só se sabe que se trata do modelo inaugural de Stuttgart devido às curvas das janelas.

A estreia
A apresentação do “bandido” foi na sexta edição Porsche Fest, evento que reúne modelos da marca com refrigeração a ar. Nada de Macan, Cayenne ou Boxster. A festa ocorre nos estúdios da Universal, em Hollywood, que empresta cenários de cinema para exibição das máquinas