Nunca a palavra turbo simbolizou tanto um automóvel como o Porsche 911. Lançado em 1975, na geração 930, o 911 Turbo foi o carro que consolidou o sistema de sobrealimentação aos esportivos de rua. Antes dele a BMW também colocou no mercado o 2002 Turbo, mas apresentou muitos problemas. Este ano, o Turbo completa 45 anos de lançamento. A alcunha simboliza o topo da gama de qualquer Porsche, como Cayenne, Macan, Panamera e até mesmo o elétrico Taycan.

A relação da Porsche com o turbocompressor teve início nos anos 1960, para uso em competições. Mas os planos de leva-rem o sistema de sobrealimentação para um carro de rua ocorreu após construção do 911 RSR, homologado para competições de turismo da FIA em 1974. O sistema se mostrou confiável, o que motivou a marca a aplicar o “caramujo” no novíssimo 930.

O 911 Turbo foi fabricado entre o início de 1975 e 1989. Nesse período seu boxer seis cilindros, que originalmente tinha 3.0 litros de deslocamento, passou por mudanças, no sistema de injeção e até na litragem dos cilindros. Em 1978, a Porsche elevou seu deslocamento para 3.3 litros. O resultado foi um ganho de potência de 40 cv, saltando de 260 para 300 cv. 

Upgrade
As últimas edições do Turbo tiveram o sistema de alimentação otimizado, o que elevou a potência para 330 cv. Originalmente ele era equipado com caixa manual de apenas quatro marchas, mas com o ganho de vigor, recebeu uma unidade Getrag G50 de cinco velocidades, que tinha quinta com relação alongada e permitia levar o esportivo acima dos 250 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 4,8 segundos.

Esses números podem não ser tão vistosos nos dias de hoje, mas na década de 1970, quando a crise do petróleo sepultou os muscle cars norte-americanos, o 911 Turbo despontou como um dos melhores esportivos de seu tempo. Isso sem dizer que ele já era um carro aclamado por sua dirigibilidade indócil.

Superlativo
O Turbo representava o máximo de desempenho que se poderia obter num Porsche de rua. Como a marca sempre teve um vínculo muito forte com automobilismo, o 930 Turbo herdou elementos das pistas como o grande aerofólio do tipo <CF36>whale tail</CF> (rabo de baleia), que lhe garantia necessário downforce no eixo traseiro e realçava a índole do modelo. 

Ao contrário da versão Carrera do 930, os para-lamas traseiros foram alargados para comportar pneus mais largos, para entregar mais tração. Assim era necessária uma película fosca para proteger a pintura, mais suscetível a choques de pequenos detritos na estrada. Completavam o conjunto as icônicas rodas Fuchs, até hoje utilizadas em versões comemorativas do 911.

Com menos de 23 mil unidades fabricadas nos 24 anos que esteve em linha, o 930 Turbo é um carro raro, que pode valer boa grana se bem conservado. Nos EUA, a média de preços gira em torno dos US$ 100 mil. Mas há unidades impecáveis que podem superar os US$ 250 mil.