Reza a sabedoria popular que o melhor Porsche já construído foi o 911 Carrera RS 2.7, de 1972. Tratava-se de um carro puro, sem nenhum tipo de auxílio eletrônico ou aspiração. Hoje uma das 500 unidades do Carrera RS 2.7 pode valer mais de 500 mil euros (R$ 2,3 milhões), dependendo do estado de conservação. Um dos fatores que fazem esse 911 tão exclusivo é sua dirigibilidade inigualável. Um carro leve, arisco, rápido, mas que solta a traseira com facilidade, exigindo muita perícia do motorista. Com o passar dos anos os Porsches foram ganhando turbo, injeção eletrônica, equipamentos refinados, quilos e assistentes eletrônicos que “roubaram” parte da emoção.

Isso aconteceu não só com o 911, mas também com os 718 Boxster e Cayman. Os últimos, inclusive, receberam compactos motores 2.0 turbo que entregavam desempenho mais modesto do que o oferecido pelo primo Audi TT. Para resolver a questão, a Porsche acaba de anunciar que as versões GTS de Cayman e Boxster voltam a ser oferecidas com motores seis cilindros opostos, como nunca deveria ter deixado de ser.

A sigla
Apenas para situar o amigo leitor, a linha GTS figura como a opção mais puristas dentro do portfólio da Porsche. Além de Boxster e Cayman, Panerama, Macan e Cayenne, contam, ou já contaram, com a versão em suas linhas. No caso dos pequenos esportivos, a primeira edição foi lançada em 2014, com motor seis cilindros 3.6 de 340 cv. 

Em 2018, quando a Porsche lançou uma nova linha de motores para a dupla e rebatizou 718 Cayman e 718 Boxter, o GTS ganhou uma unidade quatro cilindros 2.5 litros de 365 cv, que se destacava da unidade 2.0 de 300 cv. 

Boxer novamente
A unidade flat six (de cilindros opostos), ou boxer, saltou dos antigos 3.6 litros para 4.0 litros. Sem auxílio de turbocompressor, é o mesmo motor que equipa Cayman GT4, que é um carro de uso em pista e o exótico e 718 Spyder. Trata-se de um bloco que despeja 400 cv e magníficos 43 mkgf de torque nas rodas traseiras. E para ficar ainda melhor, utiliza transmissão manual de seis marchas. 

Ou seja, uma das melhores experiências que se pode ter com um Porsche “de rua”. Mais legal que ele apenas o 911 T, com seu flat six 3.0 de 370 cv pendurado atrás do eixo traseiro, que praticamente joga a traseira de um lado para outro. 

Porsche 718 Boxster GTS

Mas, mesmo assim, essa dupla de GTS consegue ser ainda mais visceral. Afinal, como se trata de um motor aspirado, para obter o máximo de torque e cavalaria, é preciso encher o motor acima dos 4 mil rpm, o que gera um rugido metálico no escapamento.

Trivialidades
Como todo Porsche é um carro luxo feito para rico, os irmãos Cayman e Boxster GTS contam com todas as exigências de um esportivo de 83 mil euros (R$ 387 mil), lá na Alemanha. Por dentro, todas as comodidades que se pode esperar, como ar-condicionado digital, multimídia, controles elétricos dos retrovisores, acabamento em couro com, apliques em fibra de carbono e por aí vai. 

Ele ainda tem rodas aro 20, freios em cerâmica e toda parafernália eletrônica para que o bem-aventurado se sinta um verdadeiro piloto, como vetorização de torque, controles de tração e estabilidade. O lado bom é que tudo isso pode ser desligado, mas é preciso ter braço e uma pista fechada para não dar mole para o azar.