No primeiro encontro entre os pré-candidatos ao Governo de Minas e à Presidência da República no Estado, nesta sexta-feira (15), durante o Conexão Empresarial, realizado em Tiradentes, na região Central de Minas, as alianças entre os partidos foi tema central para os postulantes ao pleito deste ano. Apesar de todos os candidatos terem sido convidados para o evento que reuniu cerca de 500 empresários do país inteiro, apenas sete deles compareceram à discussão.

Inicialmente previsto um debate entre os pré-candidatos presentes, incluindo os presidenciáveis Ciro Gomes (PDT), Álvaro Dias (Podemos), Paulo Rabello (PSC) e João Batista Mares Guia (Rede), além dos postulantes ao Palácio da Liberdade, Marcio Lacerda (PSB), Antonio Anastasia (PSDB) e Romeu Zema (Novo), a plenária não aconteceu devido à incompatibilidade de agenda dos pré-candidatos, que chegaram ao evento em horários diferentes — cada um deles realizou apenas um discurso de 15 minutos para o empresariado.

Ainda assim, foi a discussão sobre apoios e alianças que tomou conta das conversas. Apesar de PT e PDT disputarem o apoio do PSB em nível nacional, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), negou que o partido possa fazer uma aliança com os petistas. “O PSB não deverá se juntar ao PT. Em política, nada é tão definitivo, mas se a decisão fosse hoje, o PSB não estaria com o PT”, disse Lacerda. Questionado sobre uma possível chapa alinhada à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Lacerda foi categórico ao negar a tese e afirmar que “Lula não será candidato”.

“Essa hipótese não vai existir. Ele (Lula) não será oficialmente candidato. Não poderá disputar, do ponto de vista legal, a presidência. O PT terá candidato, provavelmente (o ex-prefeito de São Paulo) Fernando Haddad”, completou Lacerda.

Cotado para ser vice de Ciro Gomes, Lacerda avaliou a hipótese como “remota e muito incerta”. Os dois chegaram a conversar enquanto atendiam a imprensa, mas sem tratar sobre uma chapa unificada. Ainda assim, Ciro faz coro por um vice que tenha trânsito na região Sudeste e, segundo seus aliados, o pedetista tem preferência por um mineiro, com intenção de angariar os votos do segundo maior colégio eleitoral do país. “O Marcio é um nome fundamental e é de um partido que eu gostaria muito de ter em minha aliança. Mas, quem conduz essas negociações, é o presidente Carlos Lupi, do PDT”, frisou Ciro.

Enquanto caciques do DEM tentam uma aproximação de Ciro para que ele seja recebido no palanque do democrata Rodrigo Pacheco em Minas, o pedetista negou tomar a frente das negociações com Pacheco, mas admitiu que outros membros do seu partido têm tratado das conversas. Um dos principais entraves é o fato de o democratas terem candidatura própria ao Palácio do Planalto, sob o nome do atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. “Vamos supor que amanhã o Rodrigo desista, não queira mais ser candidato, e que queira conversar comigo. Então, com muito querer, eu faria essa conversa acontecer. Mas, sim, o partido tem conversado com ele, só não sei detalhes”, disse Ciro.

Já  senador Antonio Anastasia (PSDB) evitou falar em conversas com outros partidos, apesar de contar com apoio de PSD, PSC e PPS. O tucano chegou a brincar que o país vai passar por um “armísticio político” por causa da Copa do Mundo, retomando as negociações de alianças somente após o Mundial. Ainda assim, Anastasia confirmou a tentativa de seu partido em promover uma aproximação com Dinis Pinheiro (SD), pré-candidato ao Governo de Minas, e o jornalista Carlos Viana (PHS), para que ambos possam compor uma chapa ao Senado. Além disso, Rodrigo Pacheco também não foi descartado pela cúpula tucana para compor o Senado, apesar de o democrata falar em uma "candidatura própria sem volta ao governo de Minas".

“Os dois (Pinheiro e Viana) são excelentes nomes, claro, estão cotados, só que a definição para a indicação dos candidatos ao Senado vai demorar um pouco mais. Nós estamos com a tratativa com vários partidos, mas não quero ficar antecipando nomes”, disse Anastasia.

O senador e pré candidato à presidência da República, Álvaro Dias (Podemos), admitiu estar em conversação com pelo menos sete partidos para apoiar a sua campanha. Entre eles, DEM, PRB, PP, PR e PSC, cotados como as principais siglas de interesse do senador.  Nos bastidores, o presidenciável também busca formar uma grande chapa de apoio com MDB, PV, PRB, PHS e Podemos para apoiar a candidatura de Adalclever Lopes (MDB) ao governo de Minas Gerais.

Dias admitiu ter conversas mais próximas com o DEM, do deputado federal Rodrigo Maia, que sinalizou simpatia pela candidatura do senador, e com o PRB, do também presidenciável e empresário Flávio Rocha, que poderia abrir mão de sua candidatura para apoiá-lo. "São nomes interessantes, tenho proximidade, mas nada definido, apesar de boas conversas", disse o senador.