Após a Petrobras reajustar o preço do gás de cozinha (GLP) pela nova vez em sete meses, revendedores e consumidores aumentam o tom de preocupação com o impacto da medida. Na quinta-feira, o botijão de gás ficou 5% mais caro. Com isso, o preço médio do bujão de 13 quilos em Belo Horizonte será de R$ 73, mas algumas revendedoras já o comercializam a R$ 85. Só neste ano, o item soma alta de 21,9%, cerca de dez vezes mais que a inflação acumulada até outubro, apontada pelo IBGE em 2,22%.

Para justificar o aumento, a Petrobras informou que os preços do GLP vendido às distribuidoras têm como base o valor da paridade de importação, formado pelas cotações internacionais do produto e outros custos que os importadores teriam, como o de transporte. De acordo com da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) divulgados pela própria Petrobras, 43% do preço final do botijão ficam com a estatal. Os demais 57% seriam embolsados pelas revendedoras e distribuidoras.

Desemprego

No entanto, o novo aumento desagradou em cheio os revendedores. Com os reajustes sucessivos, os empresários do setor já preveem que as vendas caíam drasticamente. De acordo com Venceslau José da Silva Filho, presidente do Sindicato do Comércio Varejista Transportador e Revendedor de GLP do Estado de Minas Gerais (Sirtgás/MG), a retração já chegou, em média, a 35% e muitos empresários do setor estão tendo que cortar custos e até demitir funcionários.
“Infelizmente, está difícil segurar os prejuízos. Não há mais como repassar os aumentos ao consumidor final. E as pequenas revendas estão tendo que trabalhar com a família para não fechar”, afirma o presidente.
Esta é a situação de uma revenda no bairro Jardim Montanhês, na região Noroeste da capital. Para manter o funcionamento da empresa, a proprietária Liliane Farias demitiu entregadores e agora tem nos filhos, de 21 e 25 anos, a mão de obra para manter o negócio em funcionamento. “Foi a única solução que encontramos. Ou era isso ou fechar. As vendas caíram muito, os custos estão cada vez mais altos, não tinha como manter os funcionários”, lamenta Liliane Farias.

Baixa renda

Para o economista José Eustáquio Simões, das Faculdades Promove, os reajustes dos preços do botijão de gás têm um impacto ainda maior nos consumidores de baixa renda, já que o produto é item de necessidade nos lares dos brasileiros. “Infelizmente, quem sofre mais com essa alta são as pessoas mais pobres, que estão vendo o poder de compra cada vez mais achatado”, enfatiza o economista.

No limite
Para o presidente do Sirtgás/MG, Venceslau José da Silva Filho o panorama para o setor no próximo ano é de pessimismo, com temor pelo fechamento de empresas e fim de postos de trabalho. “Temos que enfrentar a realidade: muitas empresas não vão sobreviver para o próximo ano e vários empregos vão ser perdidos. Estamos todos trabalhando no limite”, desabafa.