Divulgada ontem, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), colocou Belo Horizonte como a quarta capital entre as principais 17 do país com a maior elevação, em 2020, dos preços do conjunto de alimentos básicos necessários para as refeições de uma pessoa adulta. 

A alta na cidade foi de 27,8%, ficando acima das registradas no Rio, em São Paulo e no Distrito Federal, entre outras 13 localidades, e perdendo apenas para Campo Grande (MS), Aracaju (SE) e Salvador (BA) – campeã no quesito, com 32,9% de aumento.

Ainda segundo o Dieese, em dezembro, a cesta essencial de alimentos na capital mineira atingiu R$ 568,53, o que equivaleu a aproximadamente 60% do salário mínimo vigente até então, de R$ 1.045. Na média dos 12 meses, o percentual de elevação de tal pacote de produtos na cidade também foi quase sete vezes maior que a inflação média geral, tomando-se por base o IPCA do mesmo período, calculado pelo IBGE em 4,23%.

Para o professor e economista Édson Domingues, titular da UFMG, a acentuada subida de preços da cesta básica, no decorrer do ano de surgimento e proliferação da Covid-19, foi causada, principalmente, pela desvalorização cambial, pelo alto volume das exportações – o que afetou severamente, entre outros, produtos como arroz, óleo e carnes – e por fatores climáticos, em decorrência de longos períodos de estiagem ou de chuvas intensas. 

Como consequência, tais fatores pressionaram, especialmente, a inflação das famílias de renda mais baixa, um público que, a partir deste mês, sem o auxílio-emergencial e outras medidas governamentais para suprir perdas no orçamento, e diante de uma onda de crescimento do desemprego, devem enfrentar um quadro ainda mais difícil. 

“O impacto é sem dúvida maior entre os mais pobres. Com desemprego em alta e menor renda, são pessoas que já herdaram preços de cesta básica mais elevados do ano passado, e que nada indica que devam cair”, disse o professor. A reversão do quadro, segundo Domingues, passaria por maior celeridade de algumas medidas. “A forma de melhorar a economia seria a mais óbvia: iniciar o quanto antes um amplo plano de vacinação em massa”, destacou.

 

Subida de combustível também pressiona bolso dos cidadãos

Além da subida da cesta básica, outros preços da economia seguem em alta e ampliam riscos de uma maior deterioração social e econômica no país, neste início de ano.

É o caso da gasolina. Pesquisa divulgada ontem pelo site Mercado Mineiro mostrou que, nos últimos seis meses, na capital, o preço médio do litro subiu 15%, passando de R$4,062 para R$4,64.

Já no caso do etanol, embora siga mais vantajoso para o consumidor, o preço do litro aumentou quase 20% na cidade, também em seis meses, de R$2,678 para R$3,213. 

Voltando aos alimentos da cesta básica, entre os itens que mais pesaram na capital, em 2020, os destaques foram a batata e a manteiga: ambas lideraram as respectivas altas nacionais em BH, com 99,2% e 23,74%. Outros produtos com aumentos expressivos na cidade foram o tomate (62%) e o leite (35,6%) – os dois com o terceiro maior índice do país em BH, entre as 17 capitais -, além do arroz (80,14%) e do óleo de soja (118%).