Após Minas Gerais ultrapassar a marca de mil mortes e 47 mil contaminados pelo coronavírus, o prefeito de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Vitório Medioli (Podemos), defende que os municípios adotem o chamado isolamento vertical, que basicamente consiste em isolar apenas as pessoas que se enquadram no grupo de risco.

Medioli defendeu essa mudança de postura dos municípios em entrevista concedida nesta quarta-feira (1º) ao Canal Universitário de Belo Horizonte (Canal 12 - NET), em evento que teve o apoio das Faculdades Promove.

"O ideal seria forçar um isolamento vertical. Ou seja, ver quem são as pessoas de risco e separá-las. Porque o resto, que não é de risco, e é 90% da população, a partir do momento em que ocorre o coronavírus, se imuniza (a pessoa). É nós separarmos verticalmente, por setor de risco. E isso não tem sido feito, cada um faz o que quer", afirmou o gestor, que em seguida criticou o que ele afirma ser a falta de uma diretriz única entre os entes no combate à Covid.

"Não há uma centralização das ações. Normalmente o poder é centralizado, o presidente da República é o que mais "pode", depois é o governador, depois é o prefeito. Agora não, delegaram tudo aos prefeitos. Como que pode um município com 3 mil ,4 mil habitantes ter um preparo para enfrentar o coronavírus. Não tem. Portanto, tem que haver uma política nacional e estadual para esse enfrentamento".

 Após autorizar a reabertura parcial do comércio em Betim no dia 22 de abril, Medioli recuou na flexibilização e decretou que apenas os estabelecimentos que forneçam serviços considerados essenciais poderiam funcionar a partir do dia 10 de junho.

Apesar de ter endurecido as medidas de isolamento, o prefeito de Betim voltou a destacar que a preocupação maior deve ser com as pessoas que apresentam algum tipo de comorbidade, embasando a predileção pelo isolamento vertical.

"Esse é o coronavírus: quem tem boa saúde, 90% não têm nada. Quem esta debilitado, aí tem que tomar muito cuidado. Nós temos que evitar o surto concentrado, em um breve espaço de tempo. Entretanto, temos que passar por essa pandemia, ninguém vai tirar essa pandemia de nós. A não ser que haja a intervenção de uma vacina, ou que a população passe a ser imunizada através de algum tipo de tratamento, como a ivermictina (vermífugo) promete".

Estrutura

Mesmo com o temor pelo o aumento de casos na cidade, Vitório Medioli comentou sobre a estrutura de saúde que Betim tem à disposição, e que os investimentos feitos pelo município vêm chamando a atenção até do governo estadual.

"Betim tinha 30 leitos de CTI. Aumentamos, agora temos 60 dedicados à Covid, fora da rede normal, do atendimento básico. Portanto, triplicamos a nossa capacidade de leitos de terapia intensiva. Abrimos o hospital de campo, com 120 leitos, com 60 já ativos. Portanto, hoje temos 120 leitos dedicados ao atendimento da pandemia. Conversei há pouco com a Secretaria de Saúde do Estado (SES-MG) que manifestou o interesse de que Betim ative esse seu potencial (capacidade de leitos). Já temos o contrato, estamos bem abastecidos de medicamentos,temos respiradores suficientes para 70 leitos, hoje temos mais 60 leitos abertos. Para Betim, 60 leitos é mais que o suficiente", afirma.