A Confederação Nacional de Municípios (CNM) encaminhou um ofício ao presidente da República, Jair Bolsonaro, solicitando que o governo federal interrompa sua campanha pela retomada do ritmo normal de trabalho, na contramão do isolamento social determinado pelo Ministério da Saúde contra a Covid-19.

No documento encaminhado ao presidente nessa sexta-feira (27), a CNM reivindica que Bolsonaro adote um discurso coerente com as medidas econômicas e profiláticas que estão sendo adotadas pelo seu próprio governo e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pede esclarecimentos sobre informações que estão sendo disseminadas pelas redes sociais, além de demandar do governo o reconhecimento da autonomia municipal.

A íntegra do documento pode ser acessada aqui.

O ofício é assinado pelo presidente da CNM, Glademir Aroldi, e referendado pelas 27 entidades municipalistas estaduais.O presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda, disse em entrevista à rádio Band News, nessa sexta, que “a autoridade sanitária máxima do País é o Ministério da Saúde. Ele está orientando de um jeito e o presidente de outro. Precisamos de uma unidade de orientação para implementarmos medidas conjuntas e termos condições de enfrentar essa guerra juntos: governo federal, estadual e municípios”.

julvan lacerda

"A autoridade sanitária máxima do País é o Ministério da Saúde. Ele está orientando de um jeito e o presidente de outro", afirma Julvan Lacerda, em peido por unidade de ações

As associações municipalistas endossam assim a posição adotada pelos governadores estaduais, de manutenção do isolamento, diante das críticas feitas por Bolsonaro. O presidente qualifica como exageradas as medidas restritivas como resposta à Covid-19. Anteontem, governadores de 24 estados e do Distrito Federal enviaram uma carta ao presidente em que dizem que pedem solidariedade do governo federal no momento em que “travamos  uma guerra contra uma doença altamente contagiosa e que deixará milhares de vítimas fatais. A nossa decisão prioritária é a de cuidar da vida das pessoas, não esquecendo a responsabilidade de administrar a economia. Os dois compromissos não são excludentes”. Somente o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), e o governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha (PSL), não assinaram o ofício.

Durante entrevista coletiva na tarde dessa sexta, Zema disse que avaliará na próxima semana a retomada de setores econômicos em algumas regiões do estado, em decorrência do "custo social enorme" decorrente do "isolamento e suspensão de vários ramos do comércio". Na última quinta-feira, a cidade de Coronel Fabriciano, na região do Vale do Rio Doce, liberou o retorno de algumas atividades, medida que também é analisada no município de Varginha, no Sul do Minas.