Para quem pensa em comprar a sonhada casa própria, um aviso: a cada cinco anos que o consumidor prolonga a dívida do imóvel – com o objetivo de reduzir o valor das parcelas –, o financiamento aumenta em uma proporção muito maior do que a economia com a prestação.

É o que mostra um estudo da consultoria Akamines Negócios Imobiliários. Em uma simulação específica, a cada cinco anos o preço final do imóvel aumenta em R$ 52 mil. Nesse exemplo, o estudo levou em conta cinco prazos diferentes, de 15 a 35 anos. Em todos, a empresa considerou um comprador na faixa etária de 31 anos que contratou crédito bancário no valor de R$ 250 mil, para financiar um apartamento de R$ 500 mil e com juros de 7,99% ao ano. As condições refletem o perfil médio aproximado dos mutuários no Brasil.

O percentual é um dos menores do mercado e, ainda assim, é mais que o dobro da inflação na capital mineira no acumulado dos últimos 12 meses. O IPCA-E, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e que é uma prévia da inflação oficial do Brasil, fechou o acumulado de 12 meses, encerrado em julho, em 3,1% em Belo Horizonte e, no país, 3,27%. 

“O comprador precisa fazer simulações. Às vezes, um valor aparentemente baixo vai se transformar numa grande cifra no final. Calculei uma taxa de juro de 7,99% ao ano, que é uma das menores taxas. É alta em geral, mas é baixa em relação a anos anteriores. Há dois anos, por exemplo, a taxa era 11%”, disse a advogada Daniele Akamine, pós-graduada em Economia da Construção Civil. 

Quem financiar o imóvel em 15 anos, por exemplo, começará pagando uma prestação de R$ 3.087,72. Já quem fechar contrato para 20 anos, terá como prestação inicial o valor de R$ 2.740,56. A diferença entre as parcelas mensais dos dois contratos é de R$ 347,16. Contudo, ao fim de cinco anos, as prestações com a menor cifra resultarão numa diferença de R$ 52.472,58 a mais no preço final do imóvel. 

Neste total, além dos juros, estão embutidos outras despesas, como seguro por morte ou por invalidez. “Em média, essa despesa giram em torno de R$ 42 por mês. Num financiamento de 35 anos, daria R$ 9 mil”, alertou.

Cássia Ximenes, presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi-MG), avalia que os juros de financiamento imobiliário no Brasil são elevados: “Existem muitas coisas a serem ajustadas na engrenagem da economia do nosso país, que impactam no valor das taxas praticadas pelos bancos estatais e privados”.

Já Daniele Akamine destaca que uma mudança pequena nos percentuais da operação pode resultar em grande prejuízo para o mutuário, por isso ela alerta que é preciso ficar atento aos detalhes na hora de assinar o contrato.

E para quem já tem um financiamento, a dica é “encurtar” os prazos o máximo possível. Foi o que fez a comerciante Fabiane Xavier Brandão. Ela comprou um apartamento no bairro União (região Nordeste de Belo Horizonte), para quitação em 60 parcelas, mas conseguiu antecipar o fim do contrato e diminuir o custo com juros: “Quando percebi que tinha um dinheiro (a mais), antecipei o pagamento pare reduzir o número de prestações”, diz.


Com preços em queda, momento é bom para comprar

O mercado de imóveis em Belo Horizonte passa por um período de queda de preços, por isso pode ser um bom momento para comprar. Nos últimos quatro anos, a redução foi de 21,2%. O percentual, já descontada a inflação do período, foi calculado pelo Instituto Data Secovi, da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi).

Por sua vez, na mesma base de comparação, o total de imóveis vendidos recuou 10,6%. Portanto, bom período para quem deseja comprar um imóvel, segundo o diretor da CMI/Secvi e responsável pelo Instituto Data Secovi, Leonardo de Bessas Matos, que também é sócio-diretor da Hypólito Corretora de Imóveis e da Ello Urbanismo e Construções.

Segundo ele, os preços caíram devido à baixa procura, “consequência da recessão mais severa da história do Brasil”. O cenário, acredita o especialista, não deverá mudar em curto prazo.

Entretanto, mesmo com os preços em queda, a dica, caso o comprador não tenha como quitar o imóvel à vista, é financiar no menor prazo possível. Do contrário, os juros não irão compensar o recuo do preço. “Muitas pessoas preferem um prazo maior pensando na redução das parcelas”, reforçou a advogada Daniele Akamine, da consultoria Akamines Negócios Imobiliários. 

Daniele fez uma simulação de um imóvel em São Paulo, onde a média do metro quadrado é mais cara que o de Belo Horizonte, para ilustrar sua fala com números. Desta forma, considerou um empréstimo bancário de R$ 400 mil para a compra de um apartamento de R$ 700 mil. A cada cinco anos, neste caso, o gasto a mais seria de R$ 92 mil.

“Se o crédito de R$ 400 mil for pago em 15 anos, esse montante chegaria a R$ 680 mil ao fim do período. Porém, se aumentássemos o prazo para 20 e 25 anos, o comprador teria de arcar, respectivamente, com R$ 772 mil e R$ 865 mil. Reparem que, a cada 5 anos, a diferença do valor total financiado vai aumentando em R$ 92 mil”. 

De acordo com ela, muitas pessoas pensam apenas na redução das parcelas, mas a diferença na prestação mensal é pequena. “A fim de economizar R$ 92 mil, não valeria a pena pagar um extra mensal de R$ 555, R$ 333 ou R$ 222 a mais, numa parcela que já beira os R$ 4.500?”.A CMI/Secovi avalia que a liberação de parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (GTS), anunciada pelo governo federal na semana passada, deverá impulsionar o mercado imobiliário, mas sem injeção direta no setor.

“Deverá impulsionar a economia como um todo, com reflexos positivos também no mercado imobiliário”, reforçou Cássia Ximenes, presidente da entidade. Mas ela pondera que “esses impactos se darão em consequência do aquecimento da economia nacional, e não num efeito direto”.