Filosa

Filosa assegura que planos da FCA para o Brasil estão mantidos, mas lançamentos podem sofrer atrasos

Fábricas paradas, concessionários com as portas fechadas e várias filiais atingidas. As montadoras de veículos vivem de forma especial os impactos da pandemia do novo coronavírus. E se planejam na medida do possível para a retomada das atividades como já ocorre na China. No epicentro da crise de saúde global, 93% das empresas do setor já voltaram ao trabalho. O desafio é lidar com o problema de liquidez, diante das vendas que, no Brasil, caíram cerca de 90%.

O presidente da FCA (Fiat/Jeep) para a América Latina, Antonio Filosa, falou sobre as perspectivas da estrutura que comanda, que deixa de produzir, por dia, cerca de 3 mil automóveis (1.600 deles em Betim). Para ele, é fundamental entender a amplitude da crise, que vai muito além do aspecto econômico. "Estamos diante de uma crise multisistêmica, que atingiu não só a indústria, mas o sistema de saúde, a educação, o transporte. É algo novo, que começou a provocar impacto em dezembro, mas que sabemos que vai passar. A China é o melhor exemplo disso. No nosso caso, temos um problema de caixa para lidar, já que não estamos vendendo, e somos uma indústria que exige investimentos de bilhões de dólares para cada novo produto. Mas temos trabalhado sobre os cenários para o que chamamos de 'smart restart', recomeço inteligente. É lógico que teremos um período que impactará principalmente os pequenos negócios; quem foi obrigado a fechar, mas prevemos que, em seguida, virá um período de forte recuperação e demanda".

Filosa garante que demissões serão adotadas apenas como um último recurso, o que dependerá da manutenção e da ampliação da política de auxílio pela União. "Todos os países estão injetando recursos em suas economias para aquecê-las. O Brasil faz o certo em focar primeiro nos menos vulneráveis; eu imagino que em seguida se ocupe também dos grandes empregadores, de modo a fazer com que a crise tenha a menor duração possível. É a hora de juntar todas as forças".

Para o dirigente, o país foi rápido ao adotar as medidas de isolamento social, o que pode ajudar a conter a pandemia de forma menos dolorosa. "Na China, desde o chamado paciente zero, foram 28 dias até que se suspendesse a produção. Itália e Estados Unidos gastaram bem mais, enquanto o Brasil foi quase tão pró-ativo quanto os chineses".

Investimentos e produtos

Quanto aos investimentos previstos para o ciclo até 2024, Filosa confirmou que o montante será mantido e os produtos previstos chegarão ao mercado. Em alguns casos, no entanto, com alguns meses de atraso em relação ao originalmente previsto (especialmente nos próximos anos). O retorno às atividades em Betim está previsto para 21 de abril, com uma série de ajustes para proporcionar proteção e segurança aos funcionários. "Estamos atentos às recomendações da Organização Mundial de Saúde e vamos fazer todo o possível para o trabalho sem maior risco".