O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) irá para Brasília na próxima terça-feira (13) com uma agenda de encontros institucionais. A informação foi confirmada pela assessoria da equipe de transição do governo. Na mesa, a reforma da Previdência deve ser um dos assuntos, apesar de alguns parlamentares já darem como certa a impossibilidade de o texto ser aprovado ainda este ano.

De acordo com o cronograma divulgado, Bolsonaro decola do Aeroporto do Galeão às 7h e tem previsão de chegada na capital federal às 8h30. Ainda pela manhã, acontecerá uma reunião com o presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB), às 9h, e logo depois com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), às 9h30.

A agenda da tarde inclui três audiências. A primeira está prevista para 13h, com a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber. Na sequência, às 14h30, Bolsonaro será recebido pelo presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro João Batista Brito Pereira. A última atividade prevista, às 16h, é uma reunião com o presidente do  Superior Tribunal Militar (STM), ministro José Coelho Ferreira.

A agenda de quarta-feira não foi divulgada pela equipe de transição. Não há confirmação se ele retorna ao Rio de Janeiro ou se terá novos compromissos em Brasília.

Pautas econômicas:

Outras pautas econômicas, que estão sendo discutidas no gabinete de transição sob o comando de Paulo Guedes, indicado para o Ministério da Economia do futuro governo, podem ser objeto de negociações entre o presidente eleito e os chefes do Legislativo.

Após a aprovação de um reajuste de 16% no salário de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Eunício Oliveira negou que o Senado esteja votando "pautas bomba" que irão afetar a condução econômica do próximo governo. Ele se encontrou com Bolsonaro na última terça-feira (6), durante a sessão de homenagem aos 30 anos da Constituição, ocasião em que se dispôs a conversar com ele e Paulo Guedes.

"É natural que a gente possa discutir matérias, pautas e o Orçamento para o próximo ano. Como temos uma mudança de gestor em nível nacional, o novo presidente tem a liberdade de falar comigo a hora e o dia que quiser para discutir adaptações no Orçamento. Mas eu não posso deixar de aprová-lo, porque isso é um mandamento constitucional. Estou aberto para discutir qualquer matéria. Se houver o convencimento de que alguma matéria criará problemas para o Brasil, ela poderá não ter o meu apoio", disse.

Nessa semana, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a defender a aprovação da reforma, apesar de reconhecer as dificuldades de o tema avançar ainda este ano. Sem entrar em detalhes sobre possíveis negociações que lideranças do Congresso já venham fazendo com o entorno de Bolsonaro, Maia disse que as reformas econômicas são "decisivas" em um "novo ciclo da política" após as eleições, em que o cidadão exige o fim dos privilégios.

"Alguns membros do novo governo já disseram isso [da dificuldade de votar a reforma da Previdência neste ano]. Não me parece uma tarefa simples para esse momento, mas a política precisa entender que há uma urgência, porque precisamos organizar as despesas públicas", afirmou.

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