O típico prato-feito do brasileiro já subiu quase oito vezes a inflação acumulada de janeiro a outubro deste ano. Enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA-15) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra alta de 2,31% neste período, a média acumulada de preços de nove produtos, tabulados pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), chega a 18% nesses dez meses deste ano.

Os maiores pesos vieram do arroz, com aumento de 52,72% de janeiro a outubro deste ano, seguido por tomate (52,94%), feijão preto (36,71%), feijão carioca (21,14%) e cebola (20,09%). As carnes tiveram alta de 11,02% e os ovos de galinha subiram quase 10%. O único produto que registrou um aumento pouco expressivo nesses dez meses deste ano foi a alface, que teve elevação de apenas 1,66% nos preços.

“O desafio neste ano são os alimentos, que explicam mais de 90% da inflação acumulada. Isso significa que se não tivesse a alta dos alimentos, a inflação estaria muito perto de zero”, garante André Braz, economista do Ibre.

Segundo ele, os principais impactos no bolso do consumidor se devem à alta do dólar, que está pressionando para cima os preços de alguns produtos no mercado internacional, como soja, milho e trigo, além da desvalorização do real, redução de área plantada, quebra de safra e problemas sazonais com a seca de inverno, que obrigam os pecuaristas a aumentarem o uso de rações para tratar dos animais.

“Aqui em casa, tenho substituído parte do arroz por macarrão. O feijão carioquinha não tenho comprado porque está muito caro. Substituí a carne de boi, que está acima de R$ 40 o quilo, pelo pernil e a linguiça. Então, estou regrando, fazendo de tudo para tentar ter uma alimentação saudável, mas sem gastar com as coisas que estão muito caras neste momento”, conta o microempresário Fioramante Scalzo Neto.

Para fugir dos preços elevados, André Braz sugere que os consumidores aproveitem as promoções e que façam uma lista antes de ir ao supermercado, para comprar exatamente o que precisam e evitar cair em tentações. Outra coisa importante, segundo o economista, é que o consumidor faça um inventário dos produtos que tem em casa para evitar a compra duplicada e o desperdício, já que a maioria tem data de validade.

Segundo ele, é importante também que as pessoas reduzam um pouco as compras de produtos que tiveram alta exagerada de preços.“É necessário que haja uma redução, ainda que seja só um pouquinho, dos produtos que estão mais caros. Se comprava dez quilos de feijão no mês, compra nove. Se for uma medida generalizada, contribui para aumentar a oferta, reduzir os preços e limitar novos aumentos”, salienta.

Bronca
No último domingo, em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro ficou irritado com o pedido de um homem para que ele baixasse o preço do arroz. “Quer que eu baixe na canetada? Você quer que eu tabele? Se você quer que eu tabele, eu tabelo. Mas vai comprar lá na Venezuela”. O consumidor saiu do local sem falar nada.

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