A primeira-dama de Minas Gerais, Carolina Oliveira, deve prestar depoimento na Polícia Federal, em Belo Horizonte, na próxima quinta-feira. Ela e o marido, o governador do Estado, Fernando Pimentel (PT), são alvos da operação Acrônimo, que apura suposto esquema de desvio de recursos públicos para a campanha do petista ao Palácio Tiradentes. A informação é do Radar On Line, da revista Veja.

A PF mapeou pagamento de R$ 3,7 milhões entre 2011 e 2014 para a empresa de comunicação que tem a mulher de Pimentel como proprietária. A suspeita é a de que parte dos recursos tenham vindo de empresas beneficiárias de operações do BNDES – banco de investimentos subordinado ao Ministério do Desenvolvimento quando Pimentel era o titular da pasta.
 
A primeira fase da Acrônimo foi deflagrada em 29 de maio deste ano, quando policiais fizeram buscas em imóvel da primeira-dama em Brasília. O apartamento que Carolina ocupava até 2014 foi objeto de um dos 90 mandados de busca e apreensão expedidos a pedido da PF pela Justiça Federal de Brasília. O empresário ligado ao PT, Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, da Gráfica e Editora Brasil, chegou a ser detido por suposta lavagem de dinheiro e caixa 2 a partir de contratos públicos.
 
Já em 26 de junho, a PF deflagrou a segunda fase da Acrônimo. Na ação, o escritório político de Pimentel e a empresa OPR Consultoria Imobiliária, localizados em um prédio na região Sul de Belo Horizonte, foram alvos de busca e apreensão de documentos e de um computador. Os federais queriam inclusive vasculhar a sede do governo mineiro e as residências oficial e particular do governador, mas os pedidos foram indeferidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
 
Inquérito
 
Conforme publicado pelo Hoje em Dia, trecho do inquérito obtido pelo jornal reforça a proximidade de Bené com Pimentel, que na época era ministro do Desenvolvimento, e Carolina. Conforme documentos da investigação, um sócio-laranja do empresário, Pedro Augusto Medeiros, bancou a hospedagem do casal em um resort de luxo na Bahia.
 
Ao todo, a estada custou exatos R$ 12.127,50. No período de 14 de novembro a 17 de novembro de 2013, eles ficaram hospedados no Resort Kiaroa Eco Luxury, na Península de Maraú, na Bahia. A reserva foi feita pelo próprio Bené. Já o pagamento foi realizado por Medeiros, que chegou a ser preso durante a primeira fase da operação “Acrônimo”, por meio de uma TED no valor de R$ 9.702 e por um depósito de R$ 2.425,50.
 
Ofício
 
Em ofício ao Resort Kiaroa, o delegado federal Guilherme Torres requisitou os registros na pista de pouso do hotel e imagens de Carolina. Em resposta, o gerente operacional, Jairo Freitas Cavalcante Santos, informou que a primeira-dama chegou ao local de avião, mas não foi possível identificar o prefixo da aeronave. As imagens não foram captadas.

Em março de 2014, Pimentel, Carolina e Bené viajaram juntos em avião particular a Punta del Leste, no Uruguai. Por meio de advogado, a primeira-dama refutou à época qualquer irregularidade e atribuiu a ação da PF a um “erro” da investigação. Pimentel tem evitado falar sobre o assunto.