Grupos de esquerda e sindicatos realizaram manifestações pelo mundo nesta sexta-feira (1º), marcando o Dia do Trabalhador. A maioria dos eventos foi pacífico, pelos direitos dos trabalhadores e pela paz mundial. Mas, como em geral acontece nesta data, houve também confrontos entre policiais e grupos em algumas cidades.

O Dia Internacional dos Trabalhadores nasceu nos Estados Unidos. Sindicatos norte-americanos pediam a introdução da jornada de oito horas diárias, na segunda metade do século 19. Uma greve geral foi declarada, para pressionar por essa demanda, a partir de 1º de maio de 1886. A ideia se disseminou por outros países e desde então os trabalhadores pelo mundo realizam protestos a cada ano nesta data. Curiosamente, os próprios Estados Unidos celebram o Dia do Trabalho não hoje, mas na primeira segunda-feira de setembro.

Na Turquia, policiais e manifestantes entraram em confronto nesta sexta-feira em Istambul. Os manifestantes buscavam contornar a proibição do governo de fazer protestos na simbólica Praça Taksim. As forças de segurança usaram jatos d'água e gás lacrimogêneo para conter os manifestantes, que lançaram pedras e dispararam fogos como reação. Segundo a imprensa local, havia cerca de 10 mil policiais na área da praça hoje.

Na Coreia do Sul, milhares de pessoas marcharam em Seul hoje, na terceira semana de protestos contra as políticas trabalhistas do governo e também contra a maneira como as autoridades lidaram com um desastre envolvendo um ferry que deixou mais de 300 mortos há um ano no país. Os sindicatos criticam uma série de políticas do governo que segundo eles reduzirá salários, a segurança dos trabalhadores e os benefícios para aposentados do setor público.

Mais de 10 mil trabalhadores e ativistas marcharam na capital das Filipinas, Manila, e queimaram uma efígie do presidente Benigno Aquino III, para protestar contra os baixos salários e também contra uma lei que permite que os empregadores possam contratar trabalhadores por menos de seis meses, para evitar dar a eles benefícios garantidos aos funcionários regulares.

Na Grécia, 13 mil pessoas marcharam em três diferentes atos em Atenas. Houve confrontos esparsos no fim das marchas pacíficas, mas sem prisões. Alguns ministros do partido de esquerda Syriza se uniram aos manifestantes, entre eles o ministro das Finanças, Yannis Varoufakis.

Os protestos na Alemanha foram mais calmos que em anos anteriores, mas milhares de pessoas foram às ruas, protestando contra o capitalismo. Fogos e pedras foram lançados contra os policiais, deixando um policial ferido. Quinze pessoas foram detidas.

Na Rússia, dezenas de milhares de pessoas enfrentaram o frio para se manifestar na Praça Vermelha. Houve, porém, poucas críticas ao presidente Vladimir Putin e a seu governo. Na Itália, a polícia usou água para dispersar centenas de manifestantes em Milão, onde o primeiro-ministro e outras autoridades estavam inaugurando a Expo, uma feira mundial que dura seis meses.

Na Espanha, 10 mil pessoas marcharam em Madri. Também houve protestos na Polônia, mas com apenas algumas centenas de pessoas.

Milhares de pessoas foram à Plaza de la Revolución na capital de Cuba, Havana, para a tradicional marcha desta data, liderada neste ano pelo presidente Raúl Castro e pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Após participar da celebração cubana, Maduro voltou a Caracas para participar de um ato em seu próprio país. Maduro anunciou um aumento de 30% no salário mínimo e nos vencimentos dos pensionistas hoje na Venezuela. Fonte: Associated Press.