Um ano para esquecer. Foi assim que a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) definiu 2015 e os impactos da crise econômica para o setor. A previsão é a de que a indústria mineira termine o ano com uma queda de 15,3%, a maior desde 1985, conforme balanço anual divulgado nessa quarta (16).

“Já tivemos uma queda em 1990, no governo Collor, e outra em 2008, mas nada comparado a esta”, afirma o presidente do Conselho de Política Econômica da Fiemg e vice-presidente da entidade, Lincoln Fernandes. De janeiro a outubro, a queda foi de 14%. A indústria de transformação foi a que apresentou maior recuo.

Não há expectativa de reversão deste cenário a curto prazo, analisa o gerente de estudos econômicos da Fiemg, Guilherme Leão. No entanto, ele acredita que a retração será menor em 2016, apesar da projeção de queda do PIB. “Não será um ano fácil, mas esperamos que seja melhor. Os indicadores devem melhorar a partir do segundo semestre”.

Na avaliação da Fiemg, existem caminhos de saída da crise que passam principalmente pela retomada do investimento privado. “O setor público não tem capacidade para investir. E o país está envelhecendo. As estradas estão ficando deterioradas, as máquinas estão ficando velhas, isso é muito grave, pois afeta o crescimento”, alertou Leão.

Segundo ele, a dificuldade é que o investimento privado exige expectativas positivas que estimulem a confiança dos empresários. Outra solução seria alavancar as exportações, já que a economia mundial está em processo de recuperação.

“Minas é líder em exportação de minério de ferro. Mas o cenário não é favorável neste momento para esse tipo de exportação por causa dos problemas causados pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana”, ressaltou Leão.

Consumo

No Estado, o PIB deve encerrar o ano com uma queda de 4,1%. Para 2016, a estimativa é de uma contração de 2,8% da atividade econômica.

A Fiemg também espera queda no consumo das famílias nos primeiros meses de 2016, devido ao aumento do desemprego e à corrosão do poder de compra, ocasionado pelo endividamento e pela inflação – que ultrapassa a barreira de 10% ao ano.

“Tudo indica que a inflação deve seguir uma trajetória de queda depois do primeiro trimestre do ano e isso pode ajudar na retomada gradual do poder de compra do consumidor. Mas dificilmente o consumo voltará forte”, destacou Leão.

A entidade preferiu não fazer projeções da interferência da crise política na economia para o ano que vem.

Rebaixamento

O presidente da Fiemg, Olavo Machado, avaliou como esperado o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch.

A expectativa é de um novo rebaixamento no primeiro trimestre de 2016. “Daqui a pouco será a vez da agência Moody’s retirar o selo de bom pagador do Brasil”, disse Machado.

Para ele, mesmo com o rebaixamento, empresas do exterior, especialmente da China, devem se interessar por oportunidades de negócios no Brasil.

“Os chineses podem aproveitar o momento para barganhar e investir em infraestrutura”, afirmou o presidente da Fiemg, Olavo Machado.