Pelo menos 10 comunidades de Belo Horizonte têm experimentado uma forma diferente de inserção socioeconômica, com geração de renda, desde 2013. O responsável pelo acréscimo é o projeto Outdoor Social, que leva publicidade para as periferias e remunera os moradores pelo uso dos muros das casas.

Em 2016 e 2017, apenas em nove campanhas divulgadas em comunidades da capital participaram 298 moradores, com um total de R$48,5 mil gerados em renda.

“O objetivo é gerar algum dinheiro por meio da publicidade, pegar um pedaço desse investimento e colocar na mão dessa população. Quando você coloca a publicidade para dentro da comunidade, você está gerando a valorização do espaço urbano e da população”, enfatiza a idealizadora do projeto, Emília Rabello.

Em todo o país, já foram beneficiadas mais de trinta mil moradores de comunidades, com injeção de mais de R$ 2 milhões nas comunidades. A meta é conseguir que as ações do projeto representem um acréscimo de 20% na renda anual dos moradores que integram a rede já em 2018. Cada morador que cede o muro para a publicidade recebe entre R$ 100 e R$ 150 por peça publicitária.

Na capital

Em Belo Horizonte, a ferramenta de comunicação está presente nas seguintes comunidades: Aglomerado da Serra, Vila São Tomás, Taquaril, Alto Vera Cruz, Vila Vista Alegre, Aglomerado Santa Lúcia, Vila Apolônia, Pedreira Prado Lopes, Beira Linha e Conjunto Mariano de Abreu.

O coordenador do projeto na capital mineira é Antônio Cardoso dos Santos, conhecido como Toninho, que trabalha desde janeiro de 2015 no Outdoor Social. Ele relata que já foram feitas diversas ações de mídia. Os principais clientes são os governos, com mensagens relacionadas à saúde (campanha de vacinação de hepatite C, tuberculose e multivacinação, por exemplo), educação (inscrições para o Enem) e social (Bolsa Família), além de empresas de telefonia e da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), que divulgou as inscrições para cursos técnicos.

“O retorno é muito bom. Além dos moradores ficarem mais informados, os donos dos muros recebem um valor como aluguel para colocarmos as placas exibidores. O retorno é bom dos dois lados, tanto para o morador quanto para quem anuncia”, afirma.
Emília Rabello revela que o próximo passo é aumentar a abrangência das campanhas publicitárias nas periferias no país, além de realizar capacitações audiovisuais com jovens.

“O que hoje está representado nos grandes meios é a elite. Essa representação da periferia, da favela, não está nos grandes meios de comunicação. Queremos criar comunicadores nas comunidades para que uma nova realidade seja colocada no ar”, diz.