A sinalização de uma “trégua” e o compromisso firmado pelo prefeito reeleito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), em relação à garantia de incentivo para a retomada do comércio na capital animaram representantes do setor, que apostam agora em um diálogo mais amplo para assegurar maior flexibilização do funcionamento e evitar o fechamento de novas lojas na capital devido às duras medidas impostas pelo Executivo para conter a pandemia de Covid. “Agora que estou eleito, é hora de ajudar esse povo (comércio), que quase quebrou. É simples assim”, disse no domingo, após a reeleição. O empresariado vai cobrar também isenção e suspensão de taxas e impostos.

Ontem, a assessoria de imprensa do prefeito reeleito da capital informou que Kalil já designou a área econômica do governo, que engloba as secretarias de Planejamento, Fazenda e Desenvolvimento, para a elaboração de projeto para acelerar essa retomada do comércio de forma segura devido à pandemia.

“Agrademos o apoio do prefeito e esperamos que a prefeitura também se abra. Aguardamos para construir algo juntos, que atenda à saúde e à economia”, salientou Matheus Daniel, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas (Abrasel). Segundo ele, além da maior flexibilização do comércio, para que as lojas possam funcionar “pelo menos até 1 hora” da madrugada, a entidade quer maior liberdade para o funcionamento dos self-services e redução de taxas e impostos pagos à prefeitura.

“Tivemos o alvará suspenso por seis meses, mas as taxas de fiscalização, licença para mesas e cadeiras, taxas de lixo e de toldo estão sendo cobradas integralmente”, disse Matheus Daniel, lembrando que o setor está arcando também o ônus de funcionários após as 22 horas, que muitas vezes não contam mais o transporte coletivo para retornar para casa. Ele informou que já está em negociação com a PBH para apresentação dessas reivindicações e aguarda apenas uma posição do Executivo municipal.

“Temos visto dono de restaurante já falando que a taxa de fiscalização está vindo integral. Havia a promessa de rever isso. Se ficou um tempo fechado, mais do que justo que se cobre proporcional”, salientou Adelcio Castro Coelho, proprietário do Boi Vindo, lembrando que em alguns casos essa taxa supera os R$ 2 mil por ano. Ele cobra também uma isenção do IPTU para o período em que os estabelecimentos ficaram fechados e um pagamento proporcional ao período que o comércio passou a abrir. “Acho que não poderiam cobrar mais do que 25%. Esperamos bom senso para rever essa cobrança injusta”, salientou, lembrando que abriu o restaurante com 40% da capacidade e com horário reduzido.

“Até agora, só tivemos prejuízos. Estamos muito satisfeitos (com a fala de Kalil). A expectativa é que ele ajude. Vamos pedir isenção do IPTU, isenção de taxas de localização e funcionamento e da taxa de fiscalização sanitária. Acreditamos que a prefeitura tem condições de nos ajudar, porque até agora tivemos ajuda do governo federal e do governo de Minas, que implantou o programa “Minas Consciente”, que não teve a adesão de BH. “Sempre estivemos abertos ao diálogo, mas ele não quis muito papo. A gente acredita que, com diálogo, as coisas vão fluir melhor”, avalia Marco Antônio Gaspar, vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH).

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Sidney defende ampliação do funcionamento à noite para aliviar o bolso do empresariado

“Está passando da hora. Acho um pouco tarde, depois de mais de sete meses fechados. Muitos bares e restaurantes não conseguiram sobreviver”, afirma Sidney de Assis Feliciano, dono do bar do Magal na Cidade Nova. Segundo ele, é necessário que a prefeitura flexibilize o horário à noite. “Se trocassem algumas horas do fim de semana para esticar pelo menos até meia-noite durante a semana seria importante para que os empresários conseguissem melhorar o caixa”, salienta.

 

ALÉM DISSO:

Belo Horizonte tinha em março deste ano 12 mil estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar, gerando 72 mil empregos. A Abrasel estima que, desse universo de empresas, 3.500 não reabriram as portas. Entre as 8.500 que seguem em atividade, a previsão é que pelo menos mais mil encerrem as atividades até o final deste ano por não suportarem as dificuldades de operar gerando prejuízo.

Na capital, foram 30 mil postos de trabalho perdidos somente no setor, parte deles já está sendo recuperada. Em Belo Horizonte, apenas 34% dos empresários estão recontratando em função do ambiente de incertezas na cidade, como horário de funcionamento e venda de bebidas alcóolicas restritos. Ou seja, a retomada em BH tende a ser mais lenta que em outras capitais.

Já na Região Metropolitana de Belo Horizonte existiam 22 mil estabelecimentos que geravam juntos 135 mil empregos no setor. A Abrasel estima que 7 mil negócios deixaram de existir e 50 mil empregos foram perdidos, cenário muito influenciado pela situação da capital.

No Estado, existiam 133 mil estabelecimentos que geravam aproximadamente 800 mil empregos. A estimativa é que algo em torno de 30 mil lojas tiveram suas portas fechadas e 250 mil postos de trabalho tenham sido perdidos. De acordo com a Abrasel, embora ocorrendo lentamente, a retomada desses empregos está acontecendo num ritmo melhor no interior do que na capital, em função das restrições impostas na cidade.