Os consumidores brasileiros ainda desconhecem o peso dos impostos nos produtos vendidos na Black Friday, evento que reúne as principais ofertas do varejo na última sexta-feira deste mês. Segundo levantamento feito pela BDO Brasil, a quinta maior empresa de auditoria e consultoria do mundo, os eletrodomésticos e produtos de beleza estão entre os que têm mais de 45% do seu valor em impostos. Impulsionadas pela pandemia do novo coronavírus, as vendas on-line devem ganhar cresceu muito neste ano.

Para se ter uma ideia, a carga tributária embutida em televisores e vídeos chega a 47,25%, o mesmo peso também dos tributos de um simples secador de cabelo. Já os smartphones e eletrodomésticos como geladeiras têm 42,25% do seu valor em impostos. O menor peso entre os produtos pesquisados está no segmento de móveis e decoração, com carga de 26,25% em um sofá. 

Mesmo assim, a assistente administrativo Iara Rodrigues dos Santos está ‘namorando’ uma mesa para a sua sala de jantar há mais de seis meses, e aposta na Black Friday para realizar o seu desejo. “Desde que mudei para o apartamento em frente ao que eu morava estou pesquisando pela internet. Tenho acompanhado os preços desse produto e estou apostando na Black Friday para ver se consigo comprar agora”, conta, acrescentando que nesta pandemia intensificou as compras on-line.

Segundo o diretor de tributos da BDO, Márcio Melo, dependendo do produto podem incidir impostos e contribuições como PIS, Cofins, IPI e ICMS, que impactam diretamente no preço final da mercadoria. “Hoje, no Brasil, esses tributos já estão entre os mais altos do mundo”, lembra.

Neste ano, segundo levantamento feito pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), 72% dos belo-horizontinos vão comprar pela internet nesta Black Friday. Nos oito primeiros meses deste ano, o e-commerce faturou 56,8% a mais em relação a igual período do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). Para esta Black Friday, a expectativa é de vendas da ordem de R$ 3,45 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão o montante do comércio on-line esperado na capital mineira.

Impulsionadas pelo isolamento social e pelo longo período de fechamento do comércio, as vendas on-line dispararam neste ano, mas muitos lojistas ainda não se adaptaram a esta nova realidade. É neste cenário que as plataformas coletivas de vendas vêm ganhando espaço e atraindo empreendedores e comerciantes que ainda não conseguiram criar o seu próprio e-commerce.

Na capital mineira, a CDL criou o Clube de Vantagens, que reúne empresas locais em um único espaço virtual de vendas. “Procuramos facilitar a vida do empreendedor. Para fazer parte do Clube, basta ter uma ótima oferta e um número para contato, por exemplo”, destaca o presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva.

Disponível em site e aplicativo para Android e IOS, o Clube de Vantagens abriga varejistas dos setores vestuário, alimentação, bem-estar e beleza, saúde e serviços, entre oturos. “É uma plataforma que potencializa o contato do lojista com o consumidor final de forma segura, econômica e prática. Além de alavancar o comércio local”, afirma Souza e Silva.

 

x