Protesto do MAB interdita estrada de ferro Vitória/Minas

Ana Lúcia Gonçalves - alucia@hojeemdia.com.br
08/03/2016 às 17:17.
Atualizado em 16/11/2021 às 01:43
 (DIVULGAÇÃO/MAB)

(DIVULGAÇÃO/MAB)

Cerca de 200 pessoas coordenadas pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) bloquearam a Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) da Vale na manhã nesta terça-feira (8), em Cachoeira Escura, distrito de Belo Oriente, no Vale do Aço. Na pauta de reivindicações está a punição dos culpados pelo vazamento da barragem de Fundão, em Mariana. Protesto semelhante foi realizado em Catas Altas.

Segundo a militante do MAB Camilla Brito o protesto integra a programação do Dia Internacional das Mulher e a Jornada Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens. Os participantes são homens, mulheres e crianças do Norte, Jequitinhonha, Zona da Mata e Vale do Rio Doce.

“O MAB denuncia o crime da Samarco/Vale/BHP Billiton e cobra punição dos culpados. O rompimento da barragem em Mariana afetou todo o rio Doce e a vida de milhares de pessoas. É um dos maiores desastres ambiental e social do país, é um crime contra todo o povo brasileiro”, disse. Os manifestantes pedem acesso à água, participação nas negociações e reparação integral de todos os danos.

Eles também aproveitaram o protesto para reclamar do preço da conta de luz. “ A matriz energética brasileira é uma das mais baratas, no entanto, os trabalhadores pagam as contas mais caras do mundo, os atingidos não tem seus direitos garantidos e os eletricitários sofrem com a precarização do serviço”.

Para Brito, a luta se faz necessária para garantir direitos e visibilizar os problemas da mineração e das hidrelétricas. “Enquanto a Vale lucra exportando nosso minério, o povo atingido não tem água de qualidade, não tem voz nas decisões. Se a Vale, responsável pela Samarco e por várias hidrelétricas no rio Doce não atender as pautas, os atingidos não arredarão o pé da luta.”

A jornada também marca, segundo ela, o dia Internacional de luta contra as barragens, pela água, pelos rios e pela vida, comemorado em 14 de Março.
TRANSBORDO

Com a obstrução da linha, e para garantir a viagem das pessoas que embarcaram nos trens nesta terça-feira, a Vale fez o baldeio dos passageiros entre os dois trens em ônibus de viagem alugados pela empresa.

O transporte rodoviário foi  feito entre as cidades de Governador Valadares e Ipatinga e vice-versa. A partir desses locais, os passageiros retomaram a viagem nos trens da Vale em ambos os sentidos até os seus respectivos destinos.

VALE

Em nota a Vale informa que o protesto do MAB impactou o tráfego ferroviário e esclarece que as reivindicações da população não têm relação com a operação da Estrada de Ferro Vitória a Minas.

“A empresa ratifica sua intenção de manter o canal de comunicação aberto com as comunidades, mas repudia quaisquer manifestações violentas que coloquem em risco seus passageiros, seus empregados e suas operações e que firam o Estado Democrático de Direito, e ratifica que obstruir ferrovia é crime passível de multa”.

De acordo com a Vale, desde o dia 5 de novembro, quando houve o acidente na barragem da Samarco, em Mariana, a empresa está concentrada em oferecer total apoio às ações de remediação e medidas de recuperação social, ambiental e econômica das regiões atingidas nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo.

A mineradora informa ainda que participou ativamente da elaboração do acordo assinado com o Governo Federal, no último dia 2 de março, e que não medirá esforços para continuar apoiando as ações emergenciais que vêm sendo conduzidas pela Samarco nestas localidades, bem como ajudar na recuperação ambiental do Rio Doce.

Samarco

Ao comentar sobre os protestos, a Samarco ressaltou que continua focada no atendimento às comunidades ribeirinhas impactadas ao longo de toda a bacia do Rio Doce. E que nesses locais estão sendo feitas reuniões com as comunidades e diversos órgãos para discutir as ações.

Em Belo Oriente, implementou melhorias em relação à distribuição de água, desde a substituição das bombas de captação por um sistema mais robusto, melhorias na infraestrutura de operação das estações de tratamento de água e estruturação de padrões de controle mais rigorosos no processos de tratamento de água.

“Todas essas benfeitorias, aliadas à aplicação do Tanfloc (floculante), asseguram uma água tratada dentro dos parâmetros de qualidade, de acordo com a Portaria 2914/11 do Ministério da Saúde”, assegura, por meio de nota. Informa ainda que já iniciou a entrega de cartões de auxílio financeiro aos  ribeirinhos de Cachoeira Escura.

Até o momento, 3300 cartões já foram entregues para a população ribeirinha, a pescadores, areeiros e outros profissionais cuja renda dependia do Rio Doce em Minas Gerais e no Espírito Santo. O valor do auxílio é de um salário mínimo, mais 20% por dependente, adicionado ao valor de uma cesta básica. O trabalho de cadastramento dos afetados das demais localidades continua.
 
Vários trabalhos relativos ao Rio Doce estão em andamento, afirma a Samarco. Entre eles o monitoramento periódico – diário, semanal e quinzenal -  da qualidade da água ao longo de todo o rio. “Até o momento, cerca de 500 mil análises já foram realizadas. A Samarco também vem prestando apoio técnico em 19 Estações de Tratamento de Água ao longo do rio”.

Para promover a melhora nos níveis de cor e turbidez da água, está em andamento a dragagem da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves (Candonga). Na primeira fase dos trabalhos será dragada uma extensão de 400 metros lineares, a partir do barramento da hidrelétrica.

“ Samarco vem construindo diques nas proximidades da barragem de Fundão. As estruturas contêm os sedimentos, liberando a água mais limpa”, diz a nota, onde a mineradora divulga também o trabalho de  revegetação temporária que está sendo feito às margens dos Rios Gualaxo e Doce, entre a cidade de Mariana e a Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, localizada entre as cidades de Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado.  “A ação evita o carregamento de sedimentos para os cursos d’água”, avisa.



 

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