O PT articula um grande ato nacional para 1º de maio, Dia do Trabalhador, com a participação de vários movimentos sociais, da militância partidária e de apoiadores do governo. O assunto foi tratado em reunião da Executiva Nacional da legenda realizada na última segunda-feira, em Brasília.

A intenção é manifestar apoio à presidente Dilma Rousseff, refutar a hipótese de impeachment e usar a data para propalar os ganhos trabalhistas conquistados na gestão petista no Planalto.

O partido não confirma, mas existiria a intenção de importar mais uma vez o prestígio do ex-presidente do Uruguai José Mujica, que esteve em Belo Horizonte nas comemorações do aniversário de 35 anos do PT, no mês passado. Fontes do partido disseram que ele “tem estado à disposição da legenda para agendas públicas”.

A presidente do PT em Minas, Maria Aparecida de Jesus, confirmou que o ato foi assunto em reunião da Executiva Nacional. “Isso foi proposto e tratado, mas ainda não ficou definido”, afirmou.

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) disse que a proximidade histórica do partido com entidades sindicais viabiliza a participação do PT em grandes eventos no Dia do Trabalhador, mas afirmou que a iniciativa deve partir dessas entidades. “Sempre estamos juntos com eles no 1º de maio e estaremos mais uma vez”.

Para o cientista político e professor da PUC Minas Malco Camargos a presidente não tem outra saída a não ser tentar mostrar que tem força, para não ficar acuada com as manifestações.

“É uma situação muito delicada porque quem foi às ruas no dia 15 mostrou que não quer políticas públicas, quer é a saída da presidente. Ela corre o risco de uma manifestação favorável a ela fracassar e agravar o cenário, mas não tem outra escolha”, disse.

FHC critica Lula

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) avaliou que as manifestações do último domingo passaram um recado tanto para a presidente Dilma Rousseff (PT) como para o ex-presidente Lula (PT). Em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, FHC disse que os ânimos se acirraram após a fala de Lula de que exércitos da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) iriam para as ruas defender o governo.

O tucano reclamou ainda do silêncio do petista. Ele avaliou que os protestos e especialmente os panelaços mostraram que é a sociedade que está surda ao governo e não o contrário.