A direção nacional do PT e as lideranças do partido em Minas vão se reunir para definir o futuro da candidatura do deputado federal Miguel Corrêa ao Senado. Ele é investigado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), junto a outros membro do PT, por supostos pagamentos de propagandas ilegais nas redes sociais. 

O deputado, inclusive, não compareceu ao comício realizado na terça-feira (28), em Belo Horizonte, que contou com a presença do candidato à vice-presidência da República Fernando Haddad e da outra candidata ao Senado pelo PT em Minas, a ex-presidente Dilma Rousseff.

Deputado Federal e coordenador da campanha de Lula e Haddad em Minas, Reginaldo Lopes confirmou o encontro, afirmando que o partido vai se posicionar em relação à situação de Corrêa. “Tanto o PT nacional quanto o PT Minas têm uma reunião marcada para discutir (a situação). A gente vai chamá-lo, dar o direito de defesa, mas o partido vai tomar uma decisão”, completou.

Sobre a possibilidade de assumir a vaga de Miguel Corrêa na disputa por uma cadeira no Senado, Reginaldo Lopes sorriu, disse que está focado na campanha de Lula, mas não descartou a hipótese. “Eu sou um homem de partido, mas hoje eu recebi a missão a mando do presidente Lula, do Haddad e da Manuela (D”Ávila) de coordenar a campanha no Estado. Então, nós temos que discutir".

Reginaldo Lopes não confirmou a data do encontro, mas afirmou que deve ocorrer em Belo Horizonte, nos próximos dias.

Entenda o caso

O deputado Miguel Corrêa é investigado por suposta relação com  um esquema de pagamento de influenciadores em redes sociais para fazer campanha de candidatos petistas nas eleições de 2018. A agência que teria feito a negociação com os influenciadores teria sido contratada por uma empresa ligada a um dos assessores do político, que é candidato ao Senado em Minas pelo PT.

O procurador regional eleitoral auxiliar do Estado de Minas, Bruno Nominato de Oliveira, determinou nesta terça-feira (28) a instauração de um procedimento preparatório eleitoral para investigar eventuais irregularidades, envolvendo o pagamento de influenciadores em redes sociais.

O caso ganhou repercussão após uma denúncia da influenciadora digital Paula Holanda. Em seu Twitter, ela disse que foi procurada por uma representante de uma agência de marketing digital, que a convidou para participar de ação "de militância política para a esquerda" e não de cunho partidário.  Ela aceitou participar, mas disse que, quando se deu conta de que a ação era partidária, desistiu. Os influenciadores teriam recebido a promessa de pagamento de R$ 1,5 mil. A prática de posts pagos em redes sociais é ilegal e pode configurar propaganda irregular e até caixa 2.

Por meio de nota, o deputado Miguel Corrêa negou as acusações de supostos pagamentos ilegais a influencers. Confira a nota enviada à imprensa:

"Miguel sempre teve sua vida pública pautada na legalidade, seu histórico político prova isto. Nos últimos anos, tem despontado como referência na pauta da tecnologia, inovação e geração de empregos para a nova geração de jovens empreendedores, mulheres e pessoas que nunca tiveram condições de capilarizar suas ideias em grandes negócios. Esta foi sua pauta como professor universitário, empresário, político e secretário de estado. Além disto trabalhou diretamente com o desenvolvimento de startups, deste trabalho surgiram diversos aplicativos dentre eles o Follow, app do qual é um dos fundadores.

Em alguns trabalhos Follow e Be connected apresentaram para clientes, análises de monitoramentos de redes de perfis reais de GRANDES INFLUENCERS (perfis com grande alcance) para apontar comportamento e análise deste novo ambiente de debate democrático, de onde nasceram movimentos de unificação de conteúdo. Vale ressaltar que para realização de tal ação NUNCA existiu o pagamento de qualquer tipo de valor a estes perfis de grande influência".

Leia mais:
Pimentel evita comentar sobre candidato ao Senado pelo PT investigado: 'não posso mais me envolver'
Miguel Corrêa lança candidatura e anuncia ocupação de prédio desativado na Cidade Administrativa