A suspensão das atividades, o agravamento da pandemia do novo coronavírus e as incertezas em relação ao “novo normal” levaram o setor de eventos à pior crise da história. Só o segmento de bufês em Belo Horizonte e região metropolitana amarga prejuízos de R$ 20 milhões por mês e já deixou sem ocupação pelo menos 25 mil trabalhadores, dos quais 5 mil tinham emprego formal, segundo o Sindicato Intermunicipal das Empresas de Bufê de Minas Gerais (Sindbufê-MG). Sem previsão de reabertura e descapitalizados, muitos empreendimentos foram obrigados a devolver o dinheiro pago pelos clientes, o que aumentou os prejuízos. Houve também uma corrida por remarcações de eventos e algumas pessoas já mudaram a data pela terceira vez.

Segundo o presidente do Sindbufê, João Teixeira Filho, se levado em consideração o setor de eventos como um todo, a perda de postos de trabalho é muito maior. “Existem eventos que têm dez, 12 empresas trabalhando, dependendo do porte”, conta, lembrando que a situação do segmento está insustentável e a falta de perspectivas leva a crer que o pior ainda está por vir.

“Não temos a menor ideia de quando voltar e como voltar. E a maior dúvida hoje é de como vai ser o novo cliente e quem é esse novo cliente, como ele vai se portar e em que momento terá confiança em contratar um serviço sabendo que um convidado ou um parente dele não serão contaminados”, afirma João Teixeira. 

Segundo ele, o sentimento que fica é o de que o segmento acabou, mas é preciso encontrar uma forma, talvez por meio da degustação, para que os bufês façam uma apresentação para o cliente. “Mostrar que estamos vivos ainda, por mais que pareça que não. Se tem vida, tem esperança”, enfatiza.

O presidente do Sindbufê conta que a pedido da Subsecretaria de Estado de Turismo e da Belotur o setor preparou um “protocolo” de como seria o novo atendimento no pós-pandemia, documento também apresentado ao prefeito Alexandre Kalil.

“Solicitei a ele uma atenção especial para que uma das atividades dos bufês, a degustação, possa vir a ser liberada. Isso porque a degustação é o momento em que o cliente visita o bufê, trata sobre o tipo de evento que ele está buscando e o bufê apresenta as opções. Caso ele entenda que o protocolo possa ser aprovado, nós vamos simular internamente na empresa para o cliente ver como vai ser a forma do primeiro atendimento no pós-pandemia”, explica.

A empresária Maria Carolina Casemiro de Sá, proprietária do Carolina Sá Buffet, conta que as empresas estão chegando ao fundo do poço financeiramente.

“Não tem renda. Alguns bufês estão sobrevivendo com delivery. No entanto, para uma empresa que faz três, quatro eventos por final de semana, vinte no mês, como é que vai sobreviver pagando o custo fixo com o delivery? Não representa nem 20% do faturamento mensal”, afirma.

SAIBA MAIS

O bufê de Maria Carolina conta com 15 funcionários e chegou a ter 32 eventos programados para março. Quando começou a pandemia, a dona teve que adotar todas as medidas previstas pela MP 936 para cortar custos e preservar empregos, como a redução de jornada e salários.

A empresária considera que a recente sanção da lei, medida que deve prorrogar os benefícios, será de extrema importância para os negócios. “A fase agora é de clientes sem ter um posicionamento de retomada e outros querendo cancelar por causa da falta desse plano”, diz. 

No setor de cerimoniais a situação não é muito diferente. Sandrele Cristiana Reis Santana, da Maria Casamenteira Assessoria e Cerimonial, conta que recebia em média 80 pedidos de orçamento por mês, mas a procura caiu para 10%. 

“O negócio tem aquecido um pouco para 2021 e, principalmente, para 2022. Mas nesses primeiros meses de pandemia ficamos praticamente parados. Quem já tinha casamento marcado para o ano que vem continuou resolvendo algumas coisas. Conseguimos fechar alguns contratos antigos, mas novos só tenho recebido da segunda quinzena de junho para cá”, conta.