Quando uma fabricante tem a liderança no segmento de picapes por décadas, ela pode se dar ao luxo de projetar derivações inusitadas para o seu portfólio. Com a Ford tem sido assim há muito tempo.
 
A picape F-Series, oferecida nas versões F150, F250 e F350, que se derivam pela capacidade de carga e extensão de chassi, segue como o veículo mais vendido do mundo. Em 2017, emplacou 1 milhão de unidades nos EUA – quase a metade de tudo que foi vendido aqui no mesmo período.
 
Por essa razão, a Ford pode ser dar ao capricho de criar versões bem legais como a finada F-150 SVT Lightning, que era um muscle car com caçamba e a Raptor, que também anda como o diabo, mas fora do asfalto. 
 
 
De filme
Agora, a marca do Oval Azul acaba de apresentar a Ranger Raptor, que leva o codinome da irmã mais velha. Todo mundo sabe que raptor é uma abreviação de velociraptor, aquele dinossauro bípede de patas e garras compridas que faz sucesso na série “Jurassic Park”.
 
É preciso deixar claro que o raptor cretáceo era bem diferente do lagartão do cinema. Mas são as peculiaridades do dino de Steven Spielberg que remetem à picape. No filme, o bicho tinha estrutura corporal que lhe permitia alcançar grandes velocidades e transpor obstáculos com facilidade. 
 
A Ranger Raptor segue o mesmo protocolo. O grande trunfo da picape está no sistema de suspensão de alto desempenho que, assim como na F-150 Raptor, foi projetado para andar em terrenos acidentados em velocidades elevadas. 
 
Um dos destaques da suspensão são os amortecedores fornecidos pela norte-americana Fox. A famosa marca das competições off-road também oferece o componente na F-150. O amortecedor de curso longo conta com um recurso chamado “Position Sensitive Damping”. 
 
Trata-se de sistema hidráulico que ajusta a carga e a resposta de acordo com a aplicação, permitindo que a picape atravesse terrenos bastante irregulares, em grande velocidade, sem chegar ao fim do curso e nem comprometer a estabilidade em alto desempenho. Igual ao bicho do filme.
 
 
Invocada
A Ranger Raptor mantém suas linhas principais tal como as versões comportadas. No entanto, para aguentar tanta pancada, como um carro de rali, o chassi passou por reforços estruturais para impedir que a carroceria retorça com o excesso de impactos em condições severas. 
 
Como foi projetada para avançar com força total sobre estradas de terra e terrenos irregulares, além da altura livre elevada, ela também recebeu novos para-choques, que não têm função apenas estética. Seu formato permite maior angulo de ataque e também protege o motor de choques. Para proteger o assoalho, a Ford aplicou uma chapa de aço de 2,3 mm. 
 
Os para-lamas também foram redimensionados para abrigar os largos pneus todo-terreno BF Goodrich 285/70 R17, que segundo a Ford foram desenvolvidos especialmente para a Raptor. Os freios também foram retrabalhados e ganharam discos ventilados de 332x32 mm com pistões duplos, na frente, e 332x24 mm, no eixo traseiro.
 
Motor
No Brasil, a Ranger é oferecida com três opções de motores, partindo de uma unidade flex 2.5 de 168 cv e 23,8 mkgf de torque e duas opções turbodiesel: 2.2 de 160 cv e 38 mkgf e 3.2 de 200 cv e 47 mkgf. 
 
Para a Raptor, a Ford adotou o moderno EcoBlue 2.0 turbodiesel de 218 cv e gratos 50 mkgf de torque. A diferença não chega a ser tão expressiva em termos de cavalaria e força, mas, por ser menor, trata-se de um motor mais leve que contribui significativamente para reduzir o peso total da picape, que recebeu uma série de reforços.
 
Para completar o conjunto, ela tem caixa automática de 10 marchas e tração 4x4 com ajustes para diferentes tipos de terreno como asfalto, cascalho, neve, lama, pedra e areia. Isso o velociraptor do filme não tem!