A Câmara dos Comuns da Inglaterra aprovou hoje, por 382 votos favoráveis e 178 contrários, uma legislação que permite a criação de seres humanos com o DNA de três pessoas.

A tecnologia foi desenvolvida para diminuir ou eliminar o risco da aparição de doenças herdadas dos país. Críticos, entretanto, afirmam que ela ultrapassa limites éticos e pode levar ao aparecimento de "bebês sob encomenda."

Se aprovada na Câmara dos Lordes, o Reino Unido se tornará o primeiro país a permitir a modificação genética em embriões humanos.

"Este é um passo corajoso que tomamos, mas também um passo discutido e bem informado", afirmou a ministra da Saúde, Jane Ellison.

A tecnologia autorizada altera especificamente o DNA mitocondrial do embrião, que virá não dos pais, mas de uma terceira doadora. Problemas genéticos relacionados à mitocôndria podem levar, no futuro, à distrofia muscular, assim como a problemas no coração, rins e pulmão.

Existem duas formas de fazer o processo, antes e depois da fertilização. Ambos os casos foram autorizados pelos parlamentares.

A Inglaterra é um dos países que lidera a tecnologia reprodutiva. O primeiro bebê de proveta, Louise Brown, nasceu no Reino Unido em 1978.

Críticos afirmam que, embora este projeto legisle especificamente sobre certas técnicas, ele pode encorajar cientistas a tentarem outros tipos de experimento no futuro.

Os protestos são sobre "proteger crianças de riscos severos decorrentes dessas técnicas, assim como do desenvolvimento de uma cultura eugênica de bebês desenhados por encomenda", afirmou David King, diretor do Human Genetics Alert. Fonte: Associated Press.