A positividade dos donos de pequenos negócios detectada pela pesquisa Iscon do Sebrae Minas, mesmo em um ambiente econômico hostil, pode ser encontrada entre empreendedores de BH. O comerciante José Geraldo Rezende Júnior, proprietário de uma padaria na região Oeste, por exemplo, conta que, mesmo com queda no faturamento em razão da crise iniciada em 2020, optou pela máxima:“Ficar parado faz tudo piorar”.

“Vivemos momentos de alta e de baixa, com fechamento e abertura do comércio e com a suspensão de aulas em faculdades próximas da padaria”,  lembra Júnior. “Diante disso, buscamos crédito no banco e resolvemos redesenhar o negócio, refizemos o layout, criamos novos serviços, ampliamos maquinário e produção e até contratamos mais gente”, acrescenta, dizendo que o número de colaboradores saltou de 25 em 2020 para 30, este ano.

Para o empresário, a palavra-chave para mover todas essas iniciativas foi “reinvenção”. “Não dá para sentar e chorar. Em época de crise como essa da Covid, temos que trabalhar com mais afinco  ainda. Por isso, reforçamos também o delivery, fomos para as redes sociais e fizemos o cenário melhorar”, ressalta.

Lives

A também empresária Raphaela Alcântara, dona da Sotilé, loja especializada em pijamas e lingerie, foi outra que se reinventou na pandemia. Primeiro, intensificou os negócios do próprio estabelecimento, fazendo lives nas redes e focando nas vendas pela Internet, contratando ajudantes e dando uma turbinada no faturamento, mesmo na época em que o comércio fechava. 

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Raphaela Alcântara, dona da Sotilé:“Acabou que, do meu negócio original, surgiu outro graças ao sucesso das lives. E tenho uma fila de clientes querendo que eu faça apresentações para eles”

Hoje, ela mantém o otimismo, apesar da situação ainda delicada da economia em Minas e no país, após ter passado a fazer vídeos também para terceiros, anunciando uma gama mais ampla de produtos na web, de itens de vestuário a calçados e alimentação. “Acabou que, do meu negócio original, surgiu outro graças ao sucesso das lives. E tenho uma fila de clientes querendo que eu faça apresentações para eles”, diz. "Uma das minhas metas é ampliar esse novo empreendimento". 

Mudança de foco

História um pouco parecida tem o empresário Thiago Kempen, um dos sócios da startup K2go, especializada em odontologia e educação. Antes da chegada do novo coronavírus, a empresa, criada em 2018, focava o negócio em dar consultorias a laboratórios e consultórios odontológicos, de maneira presencial, sobre formas de melhorar e modernizar a gestão.

"Quando começou a pandemia, não pudemos mais viajar, ficamos três meses parados, sem lucro  algum. Foi aí que nos reinventamos, abraçando o formato digital. Criamos uma plataforma em rede social para fazer discussões sobre gestão na odontologia,  dar cursos e consultorias 100% online e entregando a mesma qualidade, ou até superior à tínhamos antes", diz.

No caso dos consultórios de dentistas, ele diz que as demandas, em razão da pandemia, têm se dividido em dois tipos. "Temos clientes que, por causa da crise, perderam clientes. Nesse caso, nós os ajudamos a contornar o problema, com ajustes na gestão e na parte tributária, por exemplo. De outro lado, há os que estão com clientes demais e sem estrutura para atendê-los. Aí também oferecemos uma série de soluções", conta.

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