A Renault Captur andava meio sumido da praça. Desde a chegada da segunda geração do Duster, em março passado, o SUV bonitinho da marca francesa perdeu lastro e ficou escanteado. Para se ter uma ideia, de janeiro a junho foram apenas 3,5 mil unidades emplacadas, contra quase 13 mil do Duster. O líder do segmento, Renegade, licenciou 40 mil carros.

Mas a Renault não deixou seu utilitário-esportivo no esquecimento e acaba de lançar a linha 2022, que tem como destaque o novo motor 1.3 turbo de 170 cv e 27,5 kgfm de torque.  A unidade desenvolvida em parceria com a Daimler-Benz já era adotada em modelos Mercedes, como Classe A, Classe A Sedan e no SUV GLB.

Mas o motor de grife cobra seu preço. O Captur encareceu consistentemente. O SUV, que estava sumido da praça, praticamente se resumia a uma única versão, oferecida por R$ 121 mil. Agora ele ressurge com preços que variam de R$ 124.490 a R$ 138.490. 

O Captur também ganhou uma leve reestilização na parte frontal,  faróis full LED e novos conteúdos. Ele passa a contar com partida remota (pela chave em formato de cartão), assim como melhora considerável do acabamento interno, assim com novo multimídia com câmera 360 graus. São recursos que capacitam o modelo a brigar na prateleira de cima dos SUVs compactos, em que figuram HR-V turbo, T-Cross Highline, Tracker Premier e Renegade Limited.

Estratégia

O novo motor, além de entregar mais fôlego ao Captur, também coloca o SUV na órbita atual do mercado de automóveis, com modelos de precificação mais elevada. Os executivos 

O gerente de Marketing da Renault, Fernando Pfeiffer aponta que o Captur turbo se adequa à nova estratégia global da indústria, que é vender carros mais qualificados e com preços maiores. O executivo inclusive pontua, sem ser nominal, o Compass como um concorrente direto do Captur.

Na prática é ampliar a rentabilidade unitária do automóvel, ainda mais num cenário de mercado retraído, como é a realidade do varejo brasileiro em 2021, que ainda sofre as consequências da crise econômica e também da pandemia do Covid-19.

O carro

O Captur finalmente se desvinculou do Duster. Desde a renovação do irmão, em 2020, o Captur se tornou menos competitivo. Era mais caro e com conteúdos inferiores, como por exemplo o novo multimídia com as quatro câmeras e o ar-condicionado digital (que ainda não evoluiu no Captur).

Por outro lado, o motor 1.3 deu ao SUV muito vigor e resolveu as deficiências que ele tinha com a unidade 1.6 de 120 cv (que carecia de performance) e do 2.0 de 150 cv (que peca pelo consumo elevado devido à combinação com transmissão de quatro marchas).

O casamento do motor 1.3 de 170 cv e 27,5 quilos de torque, combinado com a transmissão automática do tipo CVT, com emulação de oito marchas, faz do Captur um carro bastante ágil, com disponibilidade de força imediata.

Todo torque do motor está disponível a partir dos 1.600 rpm e a combinação com a caixa CVT faz com que o escalonamento das relações garanta que ele atinja a faixa máxima de potência (5.500 rpm) rapidamente. Na prática, corresponde a muito vigor de aceleração, que faz dele um carro muito ágil nas retomadas e ultrapassagens.

Agora sim, o Captur cumpre sua proposta de ser um SUV mais qualificado que seu irmão Duster. 

Preços e versões

Captur Zen 1.3 CVT - R$ 124.490
Captur Intense 1.3 CVT- R$ 129.490
Captur Intense 1.3 CVT- R$ 129.490