Dois representantes do empresário Eike Batista estiveram nesta quarta-feira (8), no edifício Hilton Santos, no Flamengo, zona sul, ocupado por cerca de 100 pessoas desde a madrugada de terça-feira. Os emissários alertaram que a reintegração de posse acontecerá, embora haja a intenção de dialogar com os invasores. Não há água potável no imóvel.

Na conversa de 10 minutos, ficou acertado que a ocupação se concentrará nos dois primeiros dos 24 andares. A reforma do prédio está parada. Ex-sede do Clube de Regatas do Flamengo, o Hilton Santos foi arrendado em 2012 pela Rex Hotel, imobiliária de Eike, para a construção de um hotel. O processo de reintegração de posse foi impetrado hoje na 47ª Vara Cível do Rio.

A ocupação é feita majoritariamente por removidos em 26 de março de terreno da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) na zona portuária. Há grávidas e cerca de dez crianças. Só os dois primeiros andares dispõem de energia elétrica. Na cisterna, há apenas um líquido amarelado, impróprio para consumo. "A gente estava dormindo em papelão na Cinelândia (centro) desde o dia 26. Um colega avisou que tinha esse lugar aqui. Para vocês não está em boas condições, mas para a gente está maravilhoso", disse o invasor Júnior Dias.

Grávida de oito meses, com uma filha de dois anos, Ângela Pereira, de 38, tentava reentrar no prédio após ter ido ao médico. Há 10 anos, veio de Curitiba para o Rio. Morou no centro e zona norte até ocupar a área da Cedae. "Disseram que o apartamento aqui era bom, com três quartos, cozinha e banheiro, mas está tudo acabado lá pra cima", queixou-se.

Moradora há 48 anos do Flamengo, há oito presidente da Associação de Condomínios do Morro da Viúva, Maria Thereza Sombra afirma que já alertara o clube e Eike sobre o risco de invasão. "Estamos todos morrendo de medo que essas pessoas invadam nossos prédios. Escolheram justamente um dos lugares mais nobres do Rio de Janeiro para invadir", disse.