Os resgates do Tesouro Direto superaram as vendas em R$ 734,7 milhões no início deste ano, segundo dados divulgados no fim de fevereiro pelo Tesouro Nacional. As vendas do programa atingiram R$ 2,292 bilhões em janeiro, enquanto os saques totalizaram R$ 3,027 bilhões, sendo R$ 1,719 bilhão relativo a recompras de títulos públicos e R$ 1,307 bilhão a vencimentos, quando o prazo acaba e o governo precisa reembolsar o investidor com juros.

A venda de títulos é uma das formas que o governo tem de captar recurso para pagar dívidas e honrar compromissos. Em troca, o Tesouro Nacional devolve o valor com um adicional que pode variar de acordo com a Selic, índices de inflação, câmbio ou uma taxa definida antecipadamente no caso de papéis prefixados. O investimento pode ser feito via internet, sem intermediação de agentes financeiros.

Os títulos mais procurados no mês de janeiro foram os vinculados ao Índice de preços do Consumidor Amplo (IPCA), cuja participação nas vendas atingiu 39,6%. Os corrigidos pela Selic (juros básicos da economia) corresponderam a 34,4% do total. Já os prefixados, com juros definidos no momento da emissão, foram 26%.

Na avaliação do educador financeiro Danilo Gato, essa diferença entre compras e resgates se deu devido ao vencimento de um título prefixado no mês de janeiro.

“Tinha um tesouro prefixado que vencia no início de janeiro. Quando isso ocorreu, o governo foi obrigado a devolver o dinheiro a todo mundo que tinha esse título e só isso foi mais de R$ 1,3 bilhão”, conta, lembrando que o Tesouro Selic, título de curto prazo, teve um déficit em janeiro em relação a dezembro, já que muitas pessoas optaram pela venda. “Os investidores estão preferindo o Tesouro IPCA+, que protege um pouco mais da inflação, do que efetivamente comprar o Tesouro Selic, que dá 100% da Selic, mas está bem abaixo da inflação”, explica.

No entanto, o head de produtos e Alocação da Messem Investimentos, Gabriel Ribeiro, atribui esse maior resgate ao histórico de desempenho de alguns títulos no último trimestre de 2020. “No mês de outubro do ano passado, o Tesouro Selic deu 0,1% contra uma poupança de 0,12%. Isso faz com que as pessoas, que estavam naquele fluxo de ir para ativos alternativos, recuassem e voltassem para a tradicional caderneta de poupança”, avalia.

Ele considera também que, por mais que sejam títulos do Tesouro, com as notícias sobre a Covid no ano passado e as eleições nos Estados Unidos os títulos acabam sofrendo com a volatilidade do mercado e o brasileiro não está acostumado com isso. Dessa forma, muitas pessoas preferiram correr mais risco na Bolsa, mas pensando em uma rentabilidade maior.
“Com a retirada de auxílios por parte do governo e a inflação voltando à tona, parte da população também retirou esses recursos para consumo e para pagar contas. Então, para mim ,essa fuga do Tesouro Direto faz muito sentido”, disse.

O Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002 para popularizar esse tipo de aplicação e permitir que pessoas físicas pudessem adquirir títulos públicos diretamente do Tesouro Nacional. O aplicador só precisa pagar uma taxa para a corretora responsável pela custódia dos títulos. 

*Com Agência Brasil

 

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