Às vésperas do início da temporada de compras para as festas de fim de ano, duas boas notícias para o varejo da capital mineira: um indicador que mede a recuperação de crédito na cidade cresceu pelo quarto mês consecutivo e outro, que apura o volume de dívidas quitadas, subiu pela segunda vez seguida. 

Ambas estatísticas são elaboradas pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH). O primeiro indicador informa o percentual de consumidores que retiraram o nome do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). 

Jéssica Fagundes e Iasmyn Carvalho
Jéssica Fagundes e Iasmyn Carvalho fazem de tudo para deixar as contas em dia e não figurar na lista de maus pagadores

Ele leva em conta o acumulado de 12 meses e, no período encerrado em agosto passado, obteve alta de 4,15%.
O avanço, mesmo quando pequeno, representa o retorno da oferta de crédito a uma parcela de consumidores que estava na lista dos maus pagadores, impossibilitados de compras a prazo.

O resultado fica ainda mais satisfatório para os lojistas em razão de o crescimento manter a tendência de alta após 10 edições no vermelho, de maio de 2018 a abril de 2019.

O percentual de aumento do indicador que apura o volume de dívidas quitadas também é baixo (0,14%), mas, da mesma forma que o outro, significa alívio para comerciantes. Neste caso, é o segundo aumento consecutivo, após 12 edições negativas, de maio de 2018 a junho de 2019.

O presidente da CDL-BH, Marcelo de Souza e Silva, atribuiu as melhoras dos indicadores econômicos à combinação de fatores como o recuo do desemprego, a redução da taxa juro básica no país (Selic) e a desaceleração da inflação.

“A taxa de juros no menor patamar da série histórica (ficou em 5,5% em agosto passado), atrelada a redução da inflação (3,42% no acumulado de setembro de 2018 a agosto de 2019), tem colaborado para que os consumidores consigam renegociar e quitar os seus débitos em melhores condições. Assim, eles saem do cadastro de devedores e voltam para o mercado de crédito e consumo”, explicou o executivo.

Embora a economia do Brasil venha apresentando recuperação bem aquém do que era esperado para 2019, com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) sendo revisado pelo Banco Central de 2,5% para 0,81%, a CDL-BH avalia que o país atravessa um ambiente melhor do que em outros anos. 

Segundo a entidade, “a expectativa é que com a queda da taxa de desemprego e o aumento da renda, as famílias tenham uma situação financeira mais favorável, que permita um crescimento maior deste indicador”.

A CDL não revela, em números absolutos, o exército de nomes negativados. Para muita gente, figurar na lista dos maus pagadores é uma desonra, como as vendedoras Jéssica Fagundes, de 29 anos, e Iasmyn Carvalho, de 22. Elas se programam mensalmente para não ficarem inadimplentes.

“Pago as contas rigorosamente em dia para ter crédito sempre que precisar”, justifica Jéssica. Na mesma linha de pensamento, Iasmyn, acrescenta que o nome de uma pessoa é um patrimônio que precisa ser protegido: “Se preciso, faço até renda extra, mas aprendi com minha mãe que o nome da gente é tudo que a gente tem”.
 

Injeção de recursos do FGTS contribuiu para sanar dívidas

A tendência é que a recuperação de crédito em Belo Horizonte não volte a registrar um percentual negativo pelo menos neste ano, mas especialistas recomendam que o consumo precisa ser consciente. 

Um dos motivos para que o indicador mantenha trajetória positiva é o fato de o acumulado que apurou aumento de 4,15% na retirada de devedores da lista do SPC ter tido agosto como o último mês do período.

Isso quer dizer que o acumulado não contabilizou as dívidas pagas por quem já se beneficiou das novas regras do saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O limite de até R$ 500 por conta ativa ou inativa teve início em 13 de setembro. “Certamente haverá reflexo melhor na próxima (edição do estudo, que tratará do período de outubro de 2018 a setembro de 2019)”, acredita Gilson Machado, economista da CDL.

“Queremos, claro, que o consumidor continue comprando, mas de forma consciente. É preciso ter planejamento. A inflação mais baixa, a injeção do FGTS ”, reforçou .

A recuperação de crédito em BH poderá aumentar ainda quando o cadastro positivo, implantado em nível nacional, ganhar mais fama no Brasil. Em novembro próximo, um grande passo neste sentido deverá ocorrer.

A partir do próximo mês, bancos e outras instituições financeiras, além de empresas prestadoras de serviços de telefonia, água e energia elétrica, deverão começar a enviar informações sobre os histórico de pagamento de clientes ao cadastro positivo, operado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

A entidade recebeu o registro de autorização do Banco Central para operar as bases de dados da apelidada lista dos bons pagadores, requisito para que as instituições financeiras e prestadoras de serviço público enviassem os dados dos consumidores.

“Com o acesso às informações pelos lojistas e instituições financeiras antes da concessão do crédito, a assimetria de dados entre empresas e consumidores deve diminuir. O benefício potencial acontece de maneira direta para a população ou mesmo para quem concede crédito com a redução de juros e melhoria nas condições para realização das compras”, destaca o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.

 

SAIBA MAIS

uma nova etapa do saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) começa amanhã e poderá aliviar o bolso de 4,1 milhões de trabalhadores, num total de R$ 1,8 bilhão.

Neste caso, o resgate de até R$ 500 em cada conta ativa ou inativa é destinado àqueles que nasceram no mês de janeiro e não têm conta na Caixa Econômica Federal (CEF).

Os interessados devem comparecer a uma das agências com a carteira de identidade. O banco informou que mais de 2,3 mil agências em todo o país vão abrir as portas no sábado, das 9h às 15h.

Na segunda e na terça funcionarão duas horas a mais. Saques de até R$ 100 podem ser feitos nas casas lotéricas.

Desde o início da primeira etapa dos saques, destinados a quem tem conta na Caixa, cerca de R$ 15 bilhões já foram resgatados por quase 37 milhões de pessoas, o que corresponde a quase 40% dos aproximadamente 96 milhões de trabalhadores ou desempregados que têm direito ao resgate.

O governo, quando anunciou mudanças nas regras do saque do Fundo de Garantia, estimou que as alterações irão injetar R$ 40 bilhões na economia doméstica, sendo R$ 28 bilhões em 2019 e R$ 12 bilhões em 2020.

ss

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