Em uma reviravolta incomum em uma sessão de julgamento, marcada pela mudança de entendimento de um juiz, o ex-jogador de futebol Marques (PTB) está a um voto de reconquistar o mandato na Assembleia Legislativa de Minas.
 
Contrariando parecer da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) e do relator do processo, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Minas julgou parcialmente a favor, por 3 votos a 1, da cassação do mandato do deputado estadual Marcio Santiago (PTB) e do deputado federal Franklin Roberto (PTdoB), pastores da Igreja Mundial do Poder de Deus. A confirmar a tendência da maioria dos juízes do TRE, Marques e Gustavo Mitre (PHS) vão para Assembleia e Câmara Federal, respectivamente.
 
Derrotado nas urnas para outro mandato de deputado estadual, o ex-atacante do Atlético, Corinthians e Flamengo entrou com uma ação pedindo a cassação do mandato sob alegação de que os pastores cometeram abuso de poder político e de autoridade religiosa durante um culto.
 
Inelegibilidade
 
Além da perda do mandato, o tribunal julga ainda pedido de inelegibilidade de oito anos dos pastores deputados. A medida é extensiva ao líder e fundador da Igreja Mundial, “apóstolo” Valdemiro Santiago, conhecido nacionalmente pelas pregações na TV e pela combinação de terno com chapéu de vaqueiro.
 
No sábado anterior à eleição, Valdemiro comandou na Praça da Estação, no Centro de BH, o evento “Concentração de Poder e Milagres”. No palco, ele pediu voto para os deputados aos milhares de fiéis presentes no ato, que contou com show e transporte gratuito.
 
Na primeira sessão de julgamento, Marques estava perdendo por 2 a 0. No entanto, com a mudança do voto da juíza Maria Edna Fagundes na reunião do pleno, na quinta-feira (9) à noite, o placar virou para 3 a 1 a favor da cassação dos mandatos. O julgamento será retomado no próximo dia 16 após pedido de vista do juiz Virgílio Barreto.
 
Além do procurador regional eleitoral, Patrick Salgado Martins, que deu parecer contra a perda dos mandatos, o relator do processo, desembargador Paulo César Dias, também entendeu que o caso não é para cassação de mandato. Para o magistrado, não houve abuso de poder, e sim uma propaganda política irregular.
 
Desequilíbrio
 
Além de Maria Edna Fagundes, votaram a favor da perda do mandato os juízes Maurício Ferreira Pinto e Paulo Rogério Abrantes. Em seu voto, Abrantes declarou que o poder religioso traz desequilíbrio para as eleições.
 
O magistrado citou ainda um trecho da pregação do “apóstolo” Valdemiro Santiago, que disse que o povo de Deus tem que eleger seus representantes.
 
Faltam votar os desembargadores Virgílio Barreto, que pediu vista do processo, e Antônio Fonte Boa, substituto de Wladimir Dias durante o período de férias.
 
Contrariando parecer da Procuradoria Regional Eleitoral, TRE votou, até agora, a favor de Marques