A cúpula Rio+20 terminou nesta sexta-feira (22) com a aprovação de um plano modesto para avançar para uma "economia verde" que freie a degradação do meio ambiente e combata a pobreza, fortemente criticado pela falta de metas vinculantes e financiamentos.

A cúpula, a maior da história da ONU, reuniu durante 10 dias líderes e representantes de 191 países 20 anos depois da histórica Rio-92, que tomou decisões para combater as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a desertificação.

O texto final foi elogiado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, segundo quem se tratou de um "bom documento, uma visão sobre a qual podemos construir nossos sonhos".

"O Brasil foi responsável por construir um consenso possível. O consenso possível é um ponto de partida e não de chegada", disse a presidente Dilma Rousseff.

O acordo de 53 páginas "é a definição da economia dos próximos 20 ou 30 anos", afirmou André Correa do Lago, chefe negociador do Brasil.

"Os líderes do mundo se reuniram no Rio de Janeiro para dizer que a prioridade máxima do mundo é a erradicação da pobreza, e a segunda prioridade é uma mudança dos padrões de consumo e produção que sejam viáveis para um mundo que terá 9 bilhões de habitantes em 2050", afirmou.

Mas a sociedade civil, irritada, denunciou o "fracasso" e a falta de ambição da Rio+20.

"A Rio+20 foi um fracasso de proporções épicas", disse Kumi Naidoo, do Greenpeace Internacional, um dos ativistas da alternativa Cúpula dos Povos, que reuniu 50.000 participantes em 10 dias e que se reuniu com Ban nesta sexta-feira para entregá-lo um documento com críticas.

"Agora devemos trabalhar juntos para formar um movimento que enfrente a crise econômica, ambiental e de igualdade que está sendo imposta a nossos filhos. O único resultado desta cúpula é a raiva justificada, uma raiva que devemos transformar em ação", disse.

O documento final, que será adotado pelos líderes mundiais, cita as principais ameaças ao planeta: desertificação, esgotamento dos recursos pesqueiros, contaminação, desmatamento, extinção de milhares de espécies e aquecimento climático, catalogado como "um dos principais desafios de nossos tempos".

Também lança um processo para adotar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, com metas para avanços sociais e ambientais dos países, e que substituirão as Metas do Milênio da ONU, quando estas expirarem em 2015.

O acordo impulsiona a transição para uma "economia verde", um conceito promovido pelos europeus, mas criticado por vários países em desenvolvimento e ativistas que temem que represente a mercantilização da natureza e promova o protecionismo em detrimento de nações pobres.

O Grupo dos 77 países em desenvolvimento (G77) mais a China pediu, no início da conferência, um fundo de 30 bilhões de dólares para conseguir cumprir as metas socioambientais, mas em um contexto de crise econômica mundial, o texto final não define cifras.

Quanto ao Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma), o qual os europeus queriam tranformar em organização mundial, decidiu-se que por enquanto apenas será fortalecido, como queriam Brasil e Estados Unidos.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, lamentou nesta sexta-feira que a defesa dos direitos reprodutivos da mulher - seu direito a decidir se têm ou não filhos - tenha ficado de fora do texto final, um pedido também feito por outras líderes como a presidente Dilma Rousseff.

No entanto, destacou que o documento "marca um avanço real para o desenvolvimento sustentável", que definiu como "um dos temas mais urgentes de nossos tempos".

Hillary substituiu na cúpula o presidente Barack Obama, que não foi ao encontro. A chanceler alemã, Angela Merkel, e o britânico David Cameron também estiveram ausentes.