Aeroporto de confins 

O Aeroporto Internacional de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, terá um terminal rodoviário para integrar o modal aéreo ao terrestre. A ideia é atender passageiros com destino a algumas cidades num raio de até 300 quilômetros. A linha-piloto – para Ouro Preto, com uma parada na Lagoa dos Ingleses – será implantada até o fim de dezembro.

Outras rotas que têm grandes chances de saírem do papel são para Diamantina, no Vale do Jequitinhonha; Governador Valadares, no Vale do Rio Doce; e Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas.

A proposta da BH Airport, concessionária que administra o terminal, recebeu aval do Ministério do Turismo e servirá como um projeto-piloto para outros aeroportos do país. Segundo Daniel Nepomuceno, secretário-executivo do Ministério do Turismo, em alguns aeroportos o raio de atendimento poderá chegar a 400 quilômetros.

Ele conta mais: possibilidade de o terminal implantar linhas temporárias para eventos que ocorrem em fins de semana: “Está acontecendo, por exemplo o Festival (Gastronômico) de Tiradentes. Então, que neste fim de semana se coloque linha especial para a cidade”, explicou.

O estudo de viabilidade custou à BH Aiport R$ 500 mil. Já o investimento na construção do terminal rodoviário ainda está sendo calculado, pois o projeto-executivo não foi finalizado. Ele deverá ser erguido onde atualmente é o estacionamento E3.

Demanda
Pelas contas da empresa, os ônibus poderão atender a uma demanda estimada de 2 milhões de passageiros/ano. O aeroporto recebe, em média, 12 milhões de pessoas neste intervalo. “Coincide com a ambição de aumentar a conectividade com cidades num raio de aproximadamente 300 quilômetros. A ideia é que a linha para Ouro Preto entre em operação até o fim do ano”, disse Bruno Coelho, gestor de Negócios da BH Aiport.

Receptivo

O secretário de Turismo, Indústria e Comércio de Ouro Preto, Felipe Guerra, está otimista. Ele se reuniu com representantes da BH Aiport e teve uma informação, ainda não oficializada, de que a intenção é que os ônibus saiam diariamente para a cidade colonial se houver demanda para isso.

Entretanto, no início, a previsão é que os ônibus saiam a partir de quinta-feira e aos fins de semana. “Temos de ver como será a demanda, é preciso um estudo. Depois, se for o caso, as viagens serão diárias. Esse ônibus é uma necessidade para a cidade, pois a atividade turística vem crescendo em Ouro Preto. Hoje, a maior parte dos visitantes vem de São Paulo, de 22% a 24% do total. Os estrangeiros somam 12%”, informou Guerra.


Conexões com a Grande BH também serão ampliadas

O Aeroporto de Confins vai ampliar o número de rotas dos ônibus que fazem a conexão entre o terminal e a região metropolitana de BH. Os novos pontos de partida deverão ficar nos bairros Buritis (viagem via Nova Suíça), Cruzeiro/Praça Milton Campos (via Lourdes), Horto (via Cidade Nova), Barreiro e Eldorado, em Contagem, que passará por dentro do Carlos Prates, já na capital.
“Essas linhas poderão incrementar o número de passageiros nos coletivos do Conexão Aeroporto em 22%”, calcula Bruno Coelho, gestor de Novos Negócios da BH Aiport.

A linha que parte do Buritis deverá ser a piloto, com expectativa de implantação até o fim deste ano. Além do ponto final ou inicial, as novas linhas terão um outro para embarque e desembarque ao longo da viagem. Esses locais ainda não foram definidos, mas, de acordo com Coelho, 13 endereços estão em estudo pela BH Airport. 

O gestor de Novos Negócios da concessionária não revelou quais são os pontos em análise.
Atualmente, o Conexão tem pontos de partida na avenida Álvares Cabral e na rodoviária de Belo Horizonte, além de Betim, Nova Lima e Contagem.

Dessas linhas, apenas a que sai da rodoviária da capital tem um ponto ao longo do caminho: em frente ao terminal do aeroporto Carlos Drummond de Andrade, mais conhecido como Pampulha. Em Confins, os ônibus usariam o novo terminal rodoviário que será construído pela concessionária.

Compra casada

Após implantar novas linhas de ônibus para a Região Metropolitana de BH e para o interior de Minas, a BH Aiport tem a intenção de que o passageiro possa adquirir, no momento da compra, tanto a passagem aérea quanto a rodoviária.

“Essa proposta é para a segunda etapa, mas não há previsão ainda para que ocorra. Está um pouco mais distante (do que o lançamento das linhas-piloto). Por outro lado, é uma tendência”, confirmou Coelho.