Um carro conversível geralmente não é barato. Isso porque exige reforços estruturais, um sistema de recolhimento da capota, redesenho do bagageiro e uma série de outros ajustes. Além disso, um conversível tem menor escala de produção do que um carro “fechado”. Tudo isso impacta no preço. Agora imagine quanto custa um Rolls-Royce conversível? Além de tudo que foi dito, é preciso adicionar acabamento impecável, materiais caríssimos e, claro, o valor inestimável do Spirit of Ecstasy, a efígie alada sobre a grade do radiador. 

Mas sempre é possível ir além. Adicione uma edição limitada para o conversível Dawn, que segue a linhagem Silver. Agora o amigo terá o Dawn Silver Bullet. Essa bala de prata inglesa teve sua carroceria de quatro lugares convertida para um sofisticado roadster, que remete aos modelos da década de 1920.

Conversíveis

Ao longo de seus 116 anos, a Rolls-Royce sempre teve modelos conversíveis em sua gama. O Silver Ghost foi o precursor dessa linhagem, lá em 1907. O Dawn chegou ao mercado em 2015, para suceder o Phantom Drophead Coupé. O conversível tem como base o cupê Wraith, de 2013, que por sua vez deriva do Ghost, lançado em 2010, para ser uma versão “compacta” do Phantom. 

No entanto, roadsters nunca tiveram tanto espaço na marca. O que é plausível. A Rolls-Royce sempre foi uma marca focada no alto luxo, em que o dono do carro (na maioria das vezes) não é o condutor. E apesar de um conversível ser um carro de lazer, a marca poucas vezes apostou em um roadster, como Phantom II Roadster, fabricado pela subsidiária norte-americana, na década de 1920, com carroceria fornecida pela Brewster & Co.

O Silver Bullet é o tipo de carro para guiar devagar, com a capota arriada e com seleta companhia no banco do passageiro. Mas se for necessário acelerar, basta triscar o pé no pedal da direita, que o V12 biturbo 6.5 de 601 cv e 84 mkgf de torque, da BMW, dispara a bala de prata.

Visual
O carro é simplesmente lindo, com uso de couro em tom caramelo, que cria uma sintonia perfeita com a pintura prateada. O revestimento sobre onde fica a segunda fileira de bancos segue um conceito já utilizado por outras marcas. 

A Porsche, por exemplo, adota esse recurso desde o 356 Speedster. Recentemente, lançou uma releitura do roadster para o 911, que também aplica uma cobertura aerodinâmica no lugar onde ficam os “pseudo-assentos” do clássico alemão.

Como é de praxe nos atuais conversíveis da Rolls-Royce, as portas são suicidas. Ou seja, se abrem em ângulo contrário ao padrão convencional. Mostrador analógico no quadro de instrumentos, madeira envernizada, multimídia escamoteável e o indefectível relógio completam o ambiente interno deste roadster. 

Grande, esse conversível contrasta com os roadsters convencionais, que têm como receita a carroceria compacta. Capô longo e traseira curta são dogmas para estes modelos, como manda a cartilha britânica de clássicos como Jaguar XK 120 e AC Cobra e que ainda hoje são mantidas por modelos como BMW Z4, Audi TT e Jaguar F-Type. No entanto, o Silver Bullet é um gigante de 5,29 metros de comprimento e 2,5 toneladas. Mas é o que se espera de um Rolls-Royce. Correto?

Ele ainda não tem preço definido, mas a Forbes estima que deva custar algo em torno dos US$ 500 mil (algo próximo dos R$ 2,65 milhões), lá nos Estados Unidos. Caso seja importado por aqui, pode beirar os R$ 10 milhões.