A saída do médico Nelson Teich do Ministério da Saúde, anunciada nesta sexta-feira (15), repercutiu entre políticos brasileiros. Ao deixar o cargo, Teich fez um balanço da curta atuação, mas não comentou sobre as razões da saída. Ainda não houve anúncio de quem o substituirá na pasta.

Às 12h27, quando ainda não havia confirmação de que Teich deixaria o cargo, Luiz Henrique Mandetta postou no Twitter uma mensagem com pedido de oração ao SUS. "Oremos. Força SUS. Ciência. Paciência. Fé!", disse.

Já o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que a saída representava a baixa de "mais um ministro da Saúde que acredita na ciência". Segundo ele, "no momento em que a curva de mortes pelo coronavírus acelera, o Brasil perde com a saída de Nelson Teich". Doria ainda afirmou que o "barco está à deriva".

Governador do Rio e crítico do governo Bolsonaro, Wilson Witzel (PSC) afirmou, dirigindo-se ao presidente da República, que "ninguém vai conseguir fazer um trabalho sério com sua interferência nos ministérios e na Polícia Federal". "É por isso que governadores e prefeitos precisam conduzir a crise da pandemia e não o senhor, presidente", opinou.

O médico e deputado federal Alexandre Padilha (PT), ex-ministro da Saúde, afirmou que, "em meio a uma cirurgia complexa, troca-se o cirurgião duas vezes". O ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro, declarou que, "em cenário difícil, em plena pandemia, 13.993 mortes até ontem. Números crescentes a cada dia. Cuide-se e cuide dos outros".

Em Minas, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Igreja Católica, afirmou que "mudanças constantes no Ministério da Saúde comprometem o enfrentamento da pandemia da Covid-19 e mostram fragilidades que precisam ser enfrentadas com cidadania, fé e esperança". 

A saída

O agora ex-ministro da Saúde, que foi empossado em 17 de abril, após a demissão de Luiz Henrique Mandetta, fez um pronunciamento de despedida nesta tarde. Em sua fala, Teich afirmou, sem entrar em detalhes, que a decisão de sair foi dele próprio. Assim como ocorreu com Mandetta, Teich e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) divergiram sobre temas como a importância do isolamento social e o uso da cloroquina, medicamento ainda sem eficácia comprovada para o tratamento da Covid-19. 

Além disso, Teich disse que "deu o melhor" de si e que aceitou o convite "não pelo cargo", e sim "porque queria tentar ajudar as pessoas". O médico, que se graduou na profissão na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), agradeceu à equipe, destacou a importância do trabalho conjunto do governo federal com os conselhos de secretários estaduais e municipais de Saúde, e terminou defendendo o SUS, observando que é "cria do sistema público". (Com Agência Brasil)