Com o discurso de greve geral da classe trabalhadora, Jordano Metalúrgico, candidato do PSTU ao governo de Minas, afirmou que não vai pagar a dívida do Estado, caso seja eleito em outubro. 

Jordano foi o terceiro participante da série de entrevistas do Hoje em Dia com todos os candidatos ao Palácio da Liberdade. 

Ontem (19), estava prevista também a sabatina com João Batista Mares Guia (Rede), mas o sociólogo não compareceu por motivos de saúde. Uma nova data para o debate será definida junto com a assessoria do candidato. 

Nesta quarta-feira (20), o convidado é Claudiney Dulim (Avante), às 15h. As entrevistas são realizadas no estúdio da TV Promove e transmitidas ao vivo pelo Hoje em Dia.


O próximo governador vai enfrentar um déficit de R$ 5,6 bilhões. Como o senhor pretende atuar para reduzir esse rombo? 
A gente vai suspender o pagamento dessa dívida (com a União). Ela tem privilegiado um grupo de grandes bancos e os governos privilegiaram o pagamento dela ao invés de beneficiar a classe trabalhadora. Vamos reestatizar as empresas que foram entregues ao patrimônio privado, colocando-as sob o controle dos trabalhadores. Essas são as duas medidas que tomaríamos, além da taxação das grandes fortunas.

Mas o governador não tem poderes para estatizar empresas...
A partir do momento que se organiza a população e os trabalhadores, é possível mudar qualquer regra, qualquer legislação. Defendemos uma revolução socialista, por isso o chamado à rebelião da classe trabalhadora.

Como deixar de pagar a dívida sem descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal?
Vamos reestatizar (as empresas), colocar sob o controle dos trabalhadores. O não pagamento da dívida é uma grana violenta que sobraria para o Estado. A partir do momento que você r eestatiza, com o controle ficando nas mãos dos trabalhadores, você canaliza os recursos para o investimento. Esse investimento seria um plano de obras públicas, que geraria novos hospitais, creches, empregos, onde as pessoas possam melhorar a qualidade de vida.

Como viabilizar a estatização do transporte público?
A partir do momento que a gente tem todo esse trabalho, de não pagar a dívida, de reestatizar as empresas, de dar a terra para o povo trabalhador e cortar o salário dos políticos, além da criação do plano de obras públicas, com certeza vai ter muito dinheiro para trabalhar muita coisa e melhorar na saúde, na educação, no transporte público, na mobilidade e, de forma conjunta, a vida da população.

Qual a proposta do senhor para enfrentar a criminalidade? 
A primeira coisa que o governo deve fazer é melhorar a qualidade de vida das pessoas. Tem que ter emprego, escola, atendimento na saúde, saneamento básico, moradia. Se tivesse isso tudo para a população, o índice de violência seria menor. Dentro do nosso projeto, também temos a questão da desmilitarização da polícia, que seria ter uma polícia mais próxima da população e não a mando e treinamento do Exército, que ainda preserva os modos de atuação da ditadura militar. <QA0>

Defende o armamento?
Sim. Hoje quem tem arma no país é a polícia, Exército, milícia e crime organizado. A população trabalhadora fica no meio dessa situação sofrendo as consequências. Muita gente que morre nesse país morre inocentemente nessas guerras que são instaladas. Por isso, defendemos a desmilitarização com os comitês de autodefesa. 

Qual a proposta do senhor para a educação?
Nós defendemos a estatização e o controle sobre os profissionais da educação. Que a gente tenha uma educação 100% gratuita, pública e de qualidade para a população. Investiríamos na infraestrutura das escolas, nos profissionais da educação e na melhoria do acesso dos alunos às escolas.

O senhor é a favor da liberação do uso de drogas?
Queremos a legalização das drogas, sob o controle da população. O problema das drogas gera toda uma questão de dependência química, que tem que ser tratada pelo Estado como uma questão de saúde. É necessário investir antes, para que a pessoa não vire dependente químico. Legalizando as drogas você pode ter um controle que hoje não tem nenhum. 
 

Qual país que se assemelha mais com o que vocês (PSTU) pregam?

Nós pegamos os cinco primeiros anos da Revolução Russa.

Porque o apoio da classe trabalhadora à sua candidatura não vem sendo refletido nas pesquisas?

Tem uma situação que é a falta de democracia no processo eleitoral. Os candidatos do PSTU não são convidados a participar dos debates. São poucos os espaços que temos para apresentar nossas propostas. O tempo de TV do Anastasia é de quase cinco minutos na TV, e do Pimentel é de quase quatro minutos. O do PSTU é de cinco segundos. Então, expor as ideias do PSTU para a classe trabalhadora nesse processo eleitoral inviabiliza apresentar o conjunto do programa, mas estamos na porta das fábricas, nas redes sociais, que tem possibilitado a gente apresentar mais o programa.

É possível chegar a tarifa zero?

É possível, se a gente cortar todas as mazelas que são concedidas para as grandes empresas e grandes bancos e colocar a serviço do povo.

Como seriam formados os conselhos populares que o senhor defende em seu plano de governo?

A população elegeria os conselhos. Depois de eleitos, se não cumprirem o papel determinado pela população, os mandatos seriam revogados.

Não faltariam critérios técnicos para os membros do conselho para a gestão dos serviços?

A classe trabalhadora tem muito mais capacidade de gerir o Estado do que esse bando de políticos que está aí há muito tempo na política.

Qual a proposta do senhor para melhorar o transporte intermunicipal?

Vamos melhorar a ampliação nas linhas de metrô, investindo nas ferrovias e nos acessos às rodovias e malha rodoviária.