Saiba quais as condições de imunossupressão que permitem a quarta dose da vacina contra Covid-19

Da redação
portal@hojeemdia.com.br
20/12/2021 às 17:42.
Atualizado em 29/12/2021 às 00:35

Nesta segunda-feira (20), o Ministério da Saúde autorizou a vacinação de pessoas imunossuprimidas com uma quarta dose das vacinas contra Covid-19.

Segundo a Pasta, a medida é uma tentativa de ampliar a resposta imune desse público, especialmente após o surgimento da variante Ômicron do coronavírus.

O ministério recomenda que sejam imunizados os imunossuprimidos a partir dos 18 anos que tenham completado o esquema vacinal (duas doses e reforço) há pelo menos quatro meses.

"A quarta dose é necessária sim porque é um grupo que precisa dela. Ainda mais porque estamos no período limite da proteção imune", explica o infectologista Carlos Starling.

De acordo com o médico mineiro, normalmente, o organismo começa a reduzir a eficiência da proteção imunológica entre três e quatro meses após a aplicação da vacina. Como os imunossuprimidos representam a parcela mais vulnerável da sociedade, o certo é que sejam os primeiros a receberem doses de reforço.

O Ministério da Saúde considera pacientes com alto grau de imunossupressão os grupos ou pessoas com as seguintes enfermidades:

Imunodeficiência primária grave
Imunodeficiências primárias correspondem a 400 defeitos genéticos ligados ao sistema imunológico que predispõem o organismo à maior chance de desenvolver infecções comuns e recorrentes, como pneumonia e sinusite, e até doenças graves ou causadas por microorganismos.

Quimioterapia para câncer
Pacientes diagnosticados com câncer podem precisar de sessões de quimioterapia, que é o uso de medicamentos para destruir as células cancerosas. Esses medicamentos se misturam ao sangue e são levados a todas as partes do corpo, destruindo o tumor e impedindo que ele se espalhe pelo corpo.

Transplantados de órgão sólido ou células tronco hematopoiéticas (TCTH) com uso de drogas imunossupressoras
Pessoas transplantadas com os chamados "órgãos sólidos", localizados no tórax e no abdômen, como coração, rim, pâncreas e fígado, ou as que receberam células-tronco hematopoiéticas, normalmente retiradas da medula óssea e que produzem diversos tipos de células sanguíneas, precisam tomar remédio imunossupressor para evitar rejeição do transplante pelo organismo.

Pessoas vivendo com HIV/AIDS
O vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da AIDS, tem como principal alvo o sistema imunológico, deixando o paciente vulnerável a inúmeras doenças oportunistas. Atualmente, o tratamento é feito com coquetel anti-AIDS, um combinado de medicamentos que atua evitando que o HIV se reproduza e diminua a defesa do infectado.

Uso de corticoides em doses acima de 20 mg/dia de prednisona, ou equivalente, por mais de 14 dias
A classe de medicamentos chamada corticoide corresponde a hormônios indicados no tratamento e alívio de sintomas de doenças inflamatórias crônicas como asma, alergias, artrite reumatoide, lúpus e problemas de pele. A prednisona é um tipo de corticoide sintético.

Uso de drogas modificadoras da resposta imune
Os principais remédios usados na recuperação do sistema imunológico são: metotrexato, leflunomida, micofenolato de mofetila, azatiprina, ciclofosfamida, ciclosporina, tacrolimus, 6-mercaptopurina, biológicos em geral (infliximabe, etanercept, humira, adalimumabe, tocilizumabe, canakinumabe, golimumabe, certolizumabe, abatacepte, secukinumabe e ustekinumabe), e inibidores da JAK (Janus Associated Kinases), usados contra câncer, como tofacitinibe, baracitinibe e upadacitinibe.

Autoinflamatórias, doenças intestinais inflamatórias
Doenças auto inflamatórias são patologias de origem genética, normalmente hereditárias, que desencadeiam inflamações por período limitado de tempo, mas de forma recorrente. Um exemplo é a febre familiar do Mediterrâneo.

A doença inflamatória intestinal é o nome dado a um tipo de inflamação crônica que pode acometer várias partes do trato gastrointestinal. Algumas formas desse problema têm origem na resposta autoimune do corpo, como a doença de Crohn e a colite ulcerativa.

Pacientes em hemodiálise
Pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica graves podem precisar de hemodiálise, caso haja recomendação do médico nefrologista. O tratamento constiste no uso de uma máquina que filtra e limpa o sangue, substituindo o trabalho do rim doente. O procedimento retira do corpo os resíduos prejudiciais à saúde, como o excesso de sal.

Pacientes com doenças imunomediadas inflamatórias crônicas
As doenças imunomediadas inflamatórias crônicas são de origem reumatológicas, auto inflamatórias e intestinais inflamatórias e incluem: artrite reumatoide, anemia hemolítica autoimune, crioglogulinemia mista essencial, cirrose biliar primária, doença de Crohn, doença de Kawasaki, dermatomiosite, esclerose múltipla, esclerodermia sistêmica, espondilite anquilosante, granulomatose de Wegener, hepatite autoimune, lúpus eritematoso sistemico, miastenia gravis, mielite transversa, polimialgia reumática, poliarterite nodosa, polimiosite, psoríase (artrite psoriática), púrpura de Henoch-Scholein, retocolite ulcerativa, sarcoidose, síndrome Sjogren e vasculites.

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