Bem antes da pandemia do Covid-19 explodir, colocando o planeta de cabeça para baixo, a indústria do automóvel sabia que seu formato não era mais aplicável. Exigências de emissões e perda de apelo com o consumidor foram alguns fatores que forçavam uma mudança no mindset da indústria. Até mesmo a falta de interesse das marcas por salões era um sinal de esgotamento. E, depois de quase dois anos de Covid-19 flutuando, o Salão do Automóvel de Frankfurt (IAA) se transforma no Salão de Munique.

Com foco quase total em modelos eletrificados e inteligentes, a troca de casa não significa apenas uma mudança de endereço, mas também um “reset” da indústria. Numa condição de quase anfitriã, a BMW (que tem sede em Munique) levou sua trupe elétrica da família i. 

Uma das atrações é o iX5 Hydrogen. Trata-se de um produto finalizado, que utiliza célula de combustível de hidrogênio para gerar eletricidade para o motor de 374 cv. A grande vantagem da tecnologia é o tempo de recarga. Os cilindros são abastecidos em no máximo quatro minutos.

Mas os olhos do visitante se voltarão para o i Vision Circular Concept. O estudo que expande a grade do duplo rim de ponta a ponta na parte frontal é um vislumbre de como serão os BMW em 2040.

O carro foi pensado para usar materiais recicláveis e para ser reciclável. Daí o nome Circular. Ou seja, depois da vida útil, tudo nesse elétrico pode ser reaproveitado para dar vida a outro carro.

Audi

Se a BMW aposta no carro “descartável” para o futuro, a Audi tem focado na revitalização de sua identidade visual. Depois do roadster Skysphere, agora ela apresenta o Grandsphere. Trata-se de um belíssimo cupê elétrico e autônomo (nível 4), que chama atenção pelo estilo.

Com volante e painel escamoteáveis e com portas tipo saloon, esse carro servirá de base para as próximas tecnologias que a marca irá incorporar em sua gama, assim como a próxima orientação de estilo.

Mercedes-Benz

A Mercedes-Benz foi para Munique com foco no agora. A marca apresentou o EQE, integrante da família elétrica EQ. Num degrau abaixo do sedã EQS, o EQE chega para ser o cupê elétrico que irá concorrer com modelos como Porsche Taycan e Audi e-tron GT, mas num degrau abaixo em desempenho. 

Equipado com motor 333 cv e 58 kgfm de torque, ele pode até não empolgar diante dos 760 cv do Porsche, em sua versão mais potente, mas impressiona na autonomia. Segundo a Estrela das Três Pontas, o cupê pode rodar até 780 km com uma única carga de bateria. Ela ainda levou as versões conceituais do EQS SUV e até mesmo um estudo do futuro Classe G elétrico, batizado de EQG.

Volkswagen

A Volks também focou no presente e deixou o futuro para depois. A marca apresentou o ID.5 GTX. Trata-se da versão cupê do SUV elétrico que chegou no segundo trimestre deste ano na Europa e Estados Unidos. O modelo chega para ampliar a gama elétrica da marca, que já conta com ID.3 e ID.4.