A chegada da linha 2020 da dupla Sandero e Logan, mais cara e cheia de novos conteúdos, é uma mostra de que o segmento de populares está em extinção. O Logan, mais precisamente, simbolizou a era do automóvel de baixo custo na primeira metade da década passada. Foi elaborado pela Dacia (marca romena do Grupo Renault) para ser o automóvel de 5 mil euros e atender ao Leste Europeu. Chegou aqui em 2007 com a mesma filosofia, uma vez que o mercado brasileiro de automóveis era majoritariamente de carros populares como Mille, Gol, Celta e Classic. 

Mas hoje o cenário é outro. O consumidor de populares perdeu poder de compra, assim como o consumidor que há 12 anos se aventurava em médios precisou descer um degrau e investir em modelos compactos, mas com conteúdos e comodidades parelhos aos médios de outrora.

Tempo perdido

A Renault não deu nenhum “pulo do gato”. Pelo contrário, dormiu no ponto. Enquanto Chevrolet, Hyundai, Ford, Fiat, Volkswagen, Toyota e até a prima Nissan qualificaram seus populares, ou trouxeram modelos mais competitivos, a francesa assistiu passivamente Logan e Sandero perderem lastro. 

Mesmo com a inclusão dos novos motores 1.0 (três cilindros) e a unidade 1.6 16v que substituíram os antigos 1.0 e 1.6 8v, a dupla perdeu participação e volume nos últimos cinco anos, com exceção de 2017, ano em que ambos anotaram crescimento sobre o anterior.

Mas fato é que o Sandero, que chegou a ser o sexto carro mais vendido do país, fechou 2018 na 11ª posição, enquanto o Logan, que ocupava a 21ª colocação em 2014, despencou para a posição de número 32, no ano passado, segundo a Fenabrave.

Banho de loja

A inclusão de equipamentos como controle de estabilidade (ESP), airbags laterais, bancos em couro, conexões Apple CarPlay e Android Auto, assim como opção de transmissão CVT são fundamentais para tornar Sandero e Logan capazes de concorrer no mercado de compactos. Seara em que figuram Polo, Argo, Yaris e em breve os novos Onix e HB20.

Efeito Kwid

Este ano, o Sandero fechou o semestre na 17ª colocação com 22.366 unidades emplacadas. O Logan segue na 29ª, com 12.698 licenciamentos. Mesmo assim, a Renault assumiu a quarta posição do mercado, com 9,04% de participação. Mas o mérito se deve ao Kwid, que detém mais de 1/3 de todas as vendas da francesa e 2019. Depois de uma apresentação que o vendia como: “o SUV dos compactos”, e que não colou, finalmente ele assumiu o papel de carro de volume da marca, e acabou abrindo espaço para que os irmãos se sofisticassem.

Realmente a melhora foi considerável, apesar de alguns vícios como acabamento pobre e encaixes pouco precisos ainda persistirem. Mas são pecados compartilhados por seus concorrentes.

O lado negativo de tudo isso é que a dupla encareceu. O Sandero que custava menos de R$ 40 mil em 2014 saltou para R$ 47 mil iniciais e pode chegar a nababescos 73.090, com o Stepway CVT. Já o Logan, que iniciava na casa dos R$ 40 mil há cinco anos, não sai por menos de R$ 50,5 mil e pode chegar a R$ 71 mil. 

Como já foi dito, eles se qualificaram para atender ao consumidor que ontem mirava num Corolla, mas a realidade lhes fez descer do salto. E quem comprava Sandero terá que se contentar com o Kwid ou buscar espaço num usado.