O ex-presidente Lula reagiu com ironia à operação da Polícia Federal e prometeu voltar à militância e à mobilização no PT, sinalizando uma possível candidatura em 2018.

Após prestar depoimento, Lula concedeu uma entrevista coletiva na sede do PT em São Paulo.

“Eu fiquei magoado, ofendido, me senti ultrajado, mas isso era o que precisava acontecer para o PT levantar a cabeça. Todo santo dia alguém faz o partido sangrar. A partir da semana que vem, quem quiser discurso do Lula, é só pagar a passagem de avião. Não sei se serei candidato em 2018, mas essas coisas aumentam o tesão da gente”, afirmou.

Cercado de apoiadores, Lula politizou a ação do juiz Sérgio Moro e de alguns veículos da mídia, e abusou do discurso livre, com erros de português e linguajar popular.

Lula afirmou que sofre preconceito por parte dos ricos do país, e se mostrou mais próximos aos que foram beneficiados pelo governo dele.

O ex-presidente disse que sentiu-se “prisioneiro” e disse que voltará. “Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo. A jararaca ‘tá’ viva, como sempre esteve”, afirmou”.

Sobre o sítio em Atibaia, Lula disse que não é dele, mas que apenas o utiliza por empréstimo de um amigo. Já sobre o apartamento no Guarujá, também disse não ser dono, e brincou que, ao final das investigações, quer que alguém lhe dê um sítio e um apartamento.

Disse, ainda, que, se algum desvio de conduta dele for encontrado, ele não merece fazer parte dos quadros do PT.

Depoimento

No depoimento à PF, segundo o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), Lula disse que sua condução coercitiva era desnecessária. Ele perdeu a paciência quando perguntaram-lhe sobre pedalinhos mantidos pela família no sítio de Atibaia. Dois pedalinhos que permanecem em um lago no sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), foram comprados por um militar destacado como assessor de Lula. “Essa pergunta não está à altura da Polícia Federal”, reagiu Lula, segundo relato de Paulo Teixeira.