O instinto empreendedor do ex-padeiro João Amaro foi o que motivou a abertura da primeira e única padaria existente dentro da comunidade Morro das Pedras, na região Oeste de Belo Horizonte, há 17 anos. O estabelecimento que hoje sustenta a família do comerciante é apenas um dos mais de 500 pequenos empreendimentos mapeados dentro das favelas da capital.
 
De acordo com levantamento feito pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Micro Empresas (Sebrae-MG), os casos de empreendedorismo também estão presentes na Pedreira Prado Lopes, na região Noroeste, Aglomerado da Serra, na região Centro-Sul e Alto Vera Cruz/Taquaril, na região Leste.
 
A partir do mapeamento, o projeto batizado de Empreendedorismo no Morro vai levar capacitação aos empreendedores de cada uma dessas regiões oferecendo ferramentas de gestão que possam profissionalizar cada negócio. O trabalho começou pelo Morro das Pedras. As demais comunidades devem receber o projeto nos próximos meses.
 

Arte
 

EXEMPLO PRÁTICO
 
“O Sebrae quer levar uma equipe de especialistas para ajudar essas pessoas atirarem ideias do papel por meio de testes com modelos de negócios reais. Os que já têm empreendimentos em operação, mesmo os informais, vão aprender como isso pode ser potencializado”, explica o analista de educação e empreendedo[TEXTO]rismo do Sebrae-MG, Cláudio Rosa.
 
A expectativa é grande para moradores que estão apostando em novos negócios.
 
Varejo popular
 
A empreendedora Patrícia Lopes inaugurou uma loja de roupas femininas no Morro das Pedras há um ano e meio e acredita que o projeto vai alavancar os negócios para a loja.
 
“Há muitas lojas de roupas próximas à comunidade, mas nosso diferencial é a escolha cuidadosa das peças, que é voltada para o público feminino jovem. Tenho viajado constantemente para buscar novas peças em São Paulo e Goiânia e acho que a tendência agora é crescer”, projeta.
 
A esteticista Norma Arruda, que atende aos clientes em domicílio, acredita que em pouco tempo poderá inaugurar um espaço para reunir todos os serviços que presta.
 
“Não há muita oferta desse tipo de serviço dentro da comunidade. Como sou também maquiadora e massagista, vejo que a demanda futura é grande”, diz.
 
Meta é formalizar, crescer e criar oportunidades de emprego
 
Como a metodologia escolhida para o projeto visa a praticidade e o resultado no curto prazo, empreendedores com experiência também estão sendo atraídos.
 
É o caso da cabeleireira Luciana Pereira Prates, moradora da Vila Ventosa – comunidade vizinha ao Morro das Pedras – que começou com um salão de beleza dentro da própria casa há mais de 15 anos e hoje tem nove funcionários contratados.
 
“Além de trabalhar como professora uma vez por semana na comunidade e cuidar da parte administrativa do salão, eu também faço luzes e cortes de cabelo em várias clientes. Nossa média é de 70 a 100 atendimentos semanais e acredito que podemos crescer mais”, avalia.
 
Para os agentes envolvidos no relacionamento entre as comunidades e as entidades organizadoras do projeto, a iniciativa pode ser um divisor de águas na vida dos empreendedores.
 
“Com essas ferramentas em mãos não há como não melhorar os negócios. Só não vai crescer quem não quiser”, avalia a coordenadora do Instituto Inconformados, Luzinete Araújo.
 
Os empreendedores informais receberão o acompanhamento de especialistas do Sebrae Minas, durante um mês e meio, para redefinirem seus modelos de negócios e melhorarem a gestão.
 
O projeto “Empreendedorismo no Morro” é uma ação idealizada pela Cultura Criativa, a In Life Produções e o Instituto Inconformados, todos organizadores da Copa do Morro.