As tragédias de Mariana e Brumadinho impactaram fortemente, além das famílias que vivem nessas regiões e o meio ambiente, a economia mineira. O setor de mineração amarga queda na produção e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) já projetou o fechamento de 850 mil vagas de emprego. Para evitar que novos desastres assolem o Estado, é preciso reformular o setor e diversificar as atividades econômicas.

Para o governador Romeu Zema, reinventar essa indústria é necessário. "A adoção de métodos mais seguros e tecnológicos nos trará uma mineração diferente. O setor é muito importante para o Estado. Se elas (mineradoras) erraram, precisam pagar", afirmou durante apresentação no "Seminário Técnico Internacional sobre Barragens de Rejeitos e o Futuro da Mineração em Minas Gerais", realizado nesta quarta-feira (17), em Nova Lima, na Grande BH. 

Da mesma opinião compartilha o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe. O dirigente classifica a atividade como imprescindível para o Estado e defende que as operações devem ser mantidas somente quando a segurança for garantida. "Onde houver riscos, vamos apoiar a paralisação da atividade minerária. Onde não houver, não vamos parar pois estaríamos matando a indústria mineira e deixando de gerar renda para o povo", destacou.

De acordo com Romeu Zema, esta precisa ser uma página virada na história mineira. "O que estamos fazendo em Minas é para colocar um ponto final nessa questão. Não é um processo que se resolve de um mês para o outro. Vamos levar alguns anos para descomissionar algumas barragens, mas o início do processo foi dado e será seguido à risca. Minas não merece esse tipo de evento nunca mais", afirmou.

Diversificação

A forte presença do minério no Estado trouxe essa dependência econômica com a atividade, mas não impede que haja um esforço de diversificação. Conforme Roscoe, este é o grande desafio atual, mas ações já têm sido realizadas para mudar o cenário.

Segundo o dirigente, a indústria precisa desenvolver outros produtos oriundos da mineração para que mais riqueza seja gerada. "Cinquenta por cento ou mais do nosso minério já é industrializado aqui em Minas ou em outros estados do Sudeste. Já fizemos uma grande parte do caminho e devemos repetir isso com outros minerais", informou. 

O presidente da Fiemg declarou, ainda, que os maiores impactos da perda da mineração não seriam no setor em si e sim nas outras cadeias que utilizam a matéria-prima básica como insumo.

Seminário

O evento internacional, organizado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), reuniu especialistas do setor no Brasil e também de outros países na sede da Fundação Dom Cabral (FDC).

Roscoe afirmou que o seminário é uma grande oportunidade para a discussão do aproveitamento da mineração de forma sustentável e segura, características essenciais para que a riqueza mineral seja novamente entendida como "bênção" ao invés de "maldição".

Já o governador de Minas observou que as empresas passaram e passam por uma "demonização", situação que deve ser revertida pelas próprias mineradoras. Segundo ele, o seminário quer mostrar às empresas e à sociedade que, em países como Canadá, Austrália, Suécia, África do Sul e Chile, há operações minerárias que funcionam com total segurança, conciliando desenvolvimento e meio-ambiente.

*Colaborou Anderson Rocha

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