Seis vereadores e oito assessores parlamentares foram alvo de uma operação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), na última terça-feira (7), contra o crime de peculato na Câmara Municipal de Nova Serrana, na região Centro-Oeste de Minas Gerais. Entre os funcionários, estão pessoas que atuaram voluntariamente durante a campanha dos políticos e um comerciante de Pará de Minas, na mesma região, que foi nomeado mas sequer comparecia ao prédio. 

Os nomes dos vereadores e funcionários investigados não foram divulgados pelo órgão. A investigação, que teve início após denúncia encaminhada à ouvidoria do MPMG, apontou que cada um dos parlamentares contava com dois assessores e um auxiliar. Um destes auxiliares, que era morador de Pará de Minas, mantinha uma loja de lanternagem de motos e não comparecia na Câmara, devolvendo todos os salários para o vereador. 

Já os demais vereadores nomeram como assessores ou auxiliares pessoas que não tinham qualquer qualificação profissional, mas que teriam ajudado durante a campanha dos até então candidatos. Os empregos eram a forma de retribuir os trabalhos "voluntários" feitos na época da eleição.

Ainda de acordo com o MPMG, os assessores recebiam cerca de R$ 2,8 mil e os auxiliares R$ 1,6 mil por mês. O valor total do dano ao erário ainda não foi calculado. As penas do peculato-desvio vão de dois a 12 anos de reclusão, sendo que ainda são apurados os crimes de falsidade ideológica e um esquema de agendamentos irregulares de tratamento de saúde.

Procurada pelo Hoje em Dia, a Câmara Municipal de Nova Serrana informou, por meio de nota, que não está sendo investigada e que a ação envolve especificamente o gabinete de seis vereadores. "Os detalhes sobre a ação serão informados após o setor jurídico da Instituição ter acesso a toda documentação referente ao processo, tendo em vista que a Casa Legislativa não se viu intimada", completa. 

As atividades do órgão continuam sendo desempenhadas normalmente. "Nos termos do Regimento Interno da Câmara Municipal de Nova Serrana, os trabalhos da Casa, temporariamente, estarão a cargo da vereadora Terezinha Célia do Carmo que ocupa a função de 1ª Secretária do Legislativo Municipal. Novos procedimentos quanto às atividades da Câmara Municipal serão definidos após análise do processo e divulgados", conclui o  texto.

21 mandados de busca e apreensão

Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão nas casas dos vereadores, seis nos gabinetes, um no departamento pessoal da Câmara da cidade e oito nas residências dos assessores. Durante as buscas, foram apreendidos computadores, aparelhos celulares, documentos e dinheiro. 

Nenhuma prisão foi decretada, porém, a Justiça expediu mandados de afastamento cautelar contra os seis vereadores e os oito asessores, além de outras medidas, como a impossibilidade que eles mantenham contato entre si. 

A operação contou com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Nova Serrana e das Polícias Civil e Militar.  

Leia mais:
Câmara de BH marca depoimento do vereador Cláudio Duarte (PSL) sobre esquema de 'rachadinha'
Desembargadores do TJMG investigados pela PF negam envolvimento em crimes
Câmara aprova criação de comissão que vai investigar vereador suspeito de 'rachadinha'
Justiça determina o fim de pagamento de salários a Wellington Magalhães