Entidades do comércio e de serviços receberam com tristeza e forte dose de pessimismo a decisão, anunciada ontem pela PBH, de não ampliar a flexibilização do setor a partir da próxima segunda-feira – suspendendo, portanto, o início da Fase 2 do processo de reabertura do comércio na cidade. 

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Para CDL, pausa em reaberturas, iniciadas nesta semana, é resultado de falta de diálogo entre PBH e o Estado

 

A determinação de adiamento da segunda fase da reabertura foi comunicada pelo prefeito Alexandre Kalil (PSD), em razão de indicadores que elevaram os riscos de propagação do novo coronavírus na capital.

Só em lojas, bares e restaurantes, conforme dirigentes ligados a esses segmentos, a estimativa é de que, diante das incertezas quanto à retomada das atividades, haja na cidade ao menos mais 165 mil demissões, nos próximos dias e meses.

O presidente da seção mineira da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Ricardo Rodrigues, por exemplo, disse que, uma vez que o setor – que sequer chegou a ser candidato à reabertura – segue sem previsão de retorno, o total de demissões deve subir das 25 mil já registradas, desde o início da pandemia, para 60 mil, em pouco tempo. Ou seja, 35 mil novas dispensas.

“Começamos a falar ao pessoal para fechar as portas mesmo, entregar os pontos e ir fazer algo para tentar ganhar dinheiro, como trabalhar nos shoppings populares ou no comércio de rua”, afirmou ele, em tom de desabafo. “Sem qualquer satisfação quanto à nossa situação, a estimativa agora é de que 35% dos 22 mil bares e restaurantes de BH fechem para não mais reabrir”, completou Rodrigues, cuja entidade lançou, ontem, um vídeo para clamar por socorro ao Poder Público. 

Diálogo 

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH) – que estava otimista com a possibilidade de que mais estabelecimentos reabrissem na segunda – emitiu nota também com uma concla-mação, mas para que a PBH inicie “imediatamente o diálogo com o governo do Estado”.

“Quando a prefeitura anunciou o impedimento da abertura de novas atividades, que estavam previstas para a próxima segunda-feira, ficou evidente que o principal motivo para a tomada dessa decisão foi a situação do coronavírus no interior do Estado e o seu possível impacto na capital”, informou a CDL, que estima em 130 mil o número de novas possíveis demissões no comércio de BH, de agora em diante. 

A Câmara pontuou que o setor estaria dando “uma enorme contribuição no combate ao coronavírus” e que respeita todas as medidas fixadas pela prefeitura, especialmente a do isolamento social. Além disso, destacou os sacrifícios feitos e disse ter convicção de que as atitudes preservaram vidas. Contudo, afirmou “que o comércio de BH não pode ser penalizado por uma suposta negligência no combate ao coronavírus no interior do Estado”. 

Comércio

Os comerciantes da capital estimam que o adiamento da retomada da economia pode deixar saldo de 150 mil desempregados. No setor, de acordo com o presidente da CDL-BH, Marcelo de Souza e Silva, cerca de 20 mil pessoas já foram demitidas desde o início da pandemia.

Os primeiros cinco dias de flexibilização da quarentena na capital, segundo ele, foram positivos, e há comércio vendendo 60% do que faturava antes da pandemia. “E sem tumulto. Estamos vendo as pessoas respeitando”, destacou.

Mesmo assim, o representante da CDL-BH não está otimista. “Este 2020 é um ano perdido para o comércio. Os esforços que estão sendo feitos até agora, e que vão continuar depois de passar esse período, é para ter menos prejuízo possível, com menos fechamento de lojas, menos desemprego”, frisou.

Insatisfeito com a paralisação da flexibilização, anunciada nesta sexta-feira, Souza e Silva sugere autorizar o funcionamento de segmentos que demandam menos movimento, como lojas de instrumentos musicais e de esportes. “Caso contrário, vamos ter um prejuízo enorme quando houver a retomada de fato”, diz.

Medida Provisória

Apesar de poder ser prorrogada, a MP que prevê redução de salário e jornada de trabalho ou suspensão do contratos de funcionários não deve salvar muitos postos de trabalho, afirma Souza e Silva.

Para isso, explica o gestor, o empresário precisa ter condições de arcar com os custos de manter o quadro de pessoal – o que está ficando inviável com os estabelecimentos fechados. “Como fazer se não tem faturamento? Se as linhas de crédito não chegam? O faturamento mínimo ou não faturamento ensejam isso: tiram a expectativa do empresário de continuar com seus negócios da maneira como era e ele vai demitindo, até se ajustar”.

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