A dívida da Usiminas que vence este ano é seis vezes maior que a disponibilidade de caixa da siderúrgica mineira. Ainda há a possibilidade de captação de recursos de forma ágil, mas o relógio agora é inimigo da empresa, tanto pela necessidade de dinheiro no curto prazo quanto pela acelerada deterioração de seus indicadores. A geração de caixa, por exemplo, foi negativa nos últimos dois trimestres, e a dívida líquida cresceu 52% de 2014 para 2015.

A dívida com vencimento em 2016 soma R$ 1,920 bilhão e a empresa possui disponível em caixa apenas R$ 319,5 milhões. Embora o balanço financeiro publicado nessa quinta (18) contabilize um caixa de R$ 2,024 bilhões, este valor se refere à disponibilidade do consolidado do grupo Usiminas, ou seja, ao somatório dos caixas das empresas controladas pela siderúrgica. E o acesso ao dinheiro do caixa de controladas depende de negociações com os outros sócios dessas empresas, sem garantia de acordo.

Nessa quinta (18), a Usiminas, que tem em Ipatinga, no Vale do Aço, seu maior parque industrial e emprega cerca de 6,5 mil trabalhadores, publicou seu balanço financeiro de 2015 com prejuízo de R$ 3,6 bilhões – o pior resultado da história da companhia, que este ano completa 60 anos.

A empresa divulgou também que prevê para 2016 ações como aumento de capital, refinanciamento de dívidas e acesso ao caixa de empresas controladas, além da venda de ativos, mas sem prazo para efetivar essas intenções, que precisam ser aprovadas ponto a ponto pelos controladores.
 
Acordo

Na última quarta-feira (17) o Grupo de Controle e o Conselho de Administração se reuniram para avaliar essas possibilidades, mas não houve acordo. Essas medidas precisam de consenso dentro do Conselho para que sejam implementadas. Uma nova reunião está prevista para início de março.

O diretor de Finanças e de Relações com Investidores da empresa, Ronald Seckelmann, garantiu nessa quinta (18) durante a apresentação dos resultados de 2015 que há consenso no Conselho de Administração sobre a necessidade de injeção de capital na companhia. “Foi solicitado à diretoria executiva a avaliação da melhor alternativa para isso e a determinação dos valores”, disse.

A possibilidade de venda de ativos foi confirmada, mas descartado um desfecho de negociações ainda no primeiro semestre. A companhia tenta a alienação da Usiminas Mecânica, do setor de bens de capital. A necessidade de recursos para a Usiminas seria de entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões, aliada a um processo de refinanciamento de dívidas bancárias.

Uma fonte com bom trânsito na companhia e com acesso a discussões internas disse que a Nippon Steel, detentora de 29,45% do capital da Usiminas, estaria disposta a fazer a capitalização, mas a Ternium, dona de 27,66%, teria descartado novo investimento na Usiminas sem uma reforma do Acordo de Acionistas, de forma que lhe garanta novamente o direito de indicar o presidente. A Ternium pagou R$ 4,1 bilhões por sua fatia na Usiminas em 2012. Foram R$ 36 por ação ordinária, hoje cotadas abaixo de R$ 4.

Os dois principais sócios da empresa romperam relações em setembro de 2014, após Julian Egúren, então presidente da companhia por indicação da Ternium, ser destituído da presidência. O afastamento ocorreu após decisão da Justiça em processo no qual a Nippon Steel acusou o executivo e outros dois diretores de recebimento de benefícios além do previsto pela política de remuneração da companhia.