boca de urna

Com menos ações das campanhas nas ruas, tradicional acúmulo de santinhos deve ser cena mais rara

A pandemia de Covid-19 ocasionou mudanças no processo eleitoral deste ano que podem impactar no orçamento das candidaturas e baratear as campanhas. É o que acreditam vários postulantes à Prefeitura de Belo Horizonte, obrigados a rever os planos diante do cenário provocado pelo novo coronavírus. Como o distanciamento social se tornou prática necessária e as aglomerações desaconselhadas, o tradicional corpo a corpo em pontos estratégicos da capital e as mobilizações de rua tendem a ser bem menores, com o foco na propaganda gratuita de rádio e TV e no trabalho nas redes sociais. O que trará potencialmente, a reboque, ruas mais limpas até a votação, sem a poluição dos habituais 'santinhos'.

Se ainda não há estimativas concretas de economia, a tendência é considerada de forma generalizada: "Nós não temos previsão de contratar pessoal para trabalhar nas ruas, não faria sentido diante da situação. Até mesmo por causa da limitação financeira, nossa campanha será bastante modesta. Vamos trabalhar em cima das possibilidades para fazer nossa proposta chegar ao eleitor", explica o deputado estadual João Vítor Xavier, do Cidadania.

Perspectiva semelhante à adotada por Rodrigo Paiva (Novo), que pretende limitar as ações nas ruas a carreatas e encontros com lideranças respeitando as determinações sanitárias. "Sem dúvida esta campanha será muito atípica e acreditamos que ela vai mudar definitivamente o jeito de os candidatos apresentarem as propostas e chegar até o eleitor. Vamos apostar muito em tecnologia para alcançar o máximo de pessoas.

O PSDB, que concorre com Luísa Barreto, já trabalha com a certeza da redução de gastos, tanto por conta das restrições da pandemia, quanto da possibilidade de centrar a campanha nas redes sociais.

Teto
 
O teto de gastos para as campanhas à PBH é definido pela legislação eleitoral em R$ 30.413.484,38 para o primeiro turno, aos quais se somam R$ 12.165.393,75 para o segundo. Um aumento de 13% em relação ao processo eleitoral de 2016, equivalente à variação do IPCA (inflação oficial) no período. Se os candidatos não são mais obrigados a informar o quanto pretendem gastar - têm apenas de respeitar o limite -, dificilmente chegarão sequer perto dele. Há quatro anos, considerando-se o segundo turno, o prefeito eleito Alexandre Kalil declarou à Justiça Eleitoral ter gasto R$3.481.733,58 - o equivalente a 10% do total então permitido.