Os números podem azedar qualquer sonho de um aspirante a empreendedor. Segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 50% dos empreendimentos em gastronomia fecham as portas em dois anos.

E com o desemprego em alta, cresce feito massa com fermento a quantidade de gente que sabe cozinhar e quer abrir um estabelecimento com o dinheiro do acerto. Especialistas, no entanto, recomendam muita calma nessa hora.

“A formalização como Microempreendedor Individual (MEI) nessa atividade é a que mais cresce. Muitas pessoas abrem um bar ou lanchonete apenas com um funcionário, mas sem um planejamento adequado”, alerta a analista da unidade de atendimento do Sebrae em Belo Horizonte, Viviane Soares.

Segundo ela, são pelo menos cinco os passos para que a aspiração do marinheiro de primeira viagem não vire pesadelo. “A primeira coisa é avaliar se o perfil do candidato é mesmo empreendedor. Depois, é fundamental avaliar a oportunidade. Não adianta gostar de frequentar boteco, mas não estar disposto a trabalhar até de madrugada e lidar com cliente bêbado”, destaca.

Também é necessário estar por dentro dos aspectos legais, normas da Vigilância Sanitária e regras do Código de Defesa do Consumidor. E é proibido pensar só no investimento, sem lembrar de incluir nos cálculos o capital de giro.

Por último, Viviane ressalta que é preciso o respaldo de bastidor, com uma pessoa com conhecimento específico para gerir a empresa.

A escolha do ponto e o segmento de atuação devem ser bem pensados. E é fundamental que a casa traga algo diferente

Proibido para amadores

Para o presidente da Abrasel-MG, o empresário Ricardo Rodrigues, a gastronomia é realmente um segmento atrativo, mas vai muito além da habilidade com pratos e panelas. E não é um negócio para amadores. “Muita gente chega como aventureiro, o que acaba trazendo uma mortalidade grande para o setor”, diz.

Os sócios Gustavo Castro e Elmo Barra seguiram à risca a cartilha do Sebrae e hoje colhem os frutos. Só depois de um ano de planejamento detalhado, elaboração de plano de negócios e curso de cozinheiro com duração de 500 horas no Senac, a dupla investiu R$ 280 mil para abrir, em novembro do ano passado, o Dorsé, misto de restaurante e bar na Rua Sapucaí, na Floresta.

“Os funcionários folgam um dia na semana, mas a gente não. Trabalhamos de segunda e segunda e colocamos a mão na massa”, diz Gustavo. O sucesso dos pratos executivos é tanto que na hora do almoço dá até fila na porta.