O Porsche 911 é um carro tão legal que várias empresas se dedicam a melhorá-lo ou apenas dar nova vida a eles. É o caso da californiana Singer Design, que se dedica a restaurar 911 refrigerados a ar, que são verdadeiras obras de arte sobre rodas e custam cerca de quatro vezes mais que um 911 Carrera novo. Para se ter uma ideia, ela é a única empresa que a Porsche autoriza combinar sua marca com o emblema de Stuttgart.

Agora a Singer apresenta o Singer All-terrain Competition Study. Trata-se de um veículo 4x4 que utiliza a carroceria do 911 a ar e remete aos bólidos que a alemã construiu para provas de rali como o 911 SC/RC, 953 e 959.

Ao contrário de seus 911, o Singer All-terrain Competition Study é um carro que adiciona elementos modernos à carroceria original. Capô dianteiro e traseiro foram redesenhados, como uma releitura moderna do 959, utilizando fibra de carbono. 

O carro foi encomendado por um cliente que queria um carro de rali com base num 911 de carroceria clássica. O cara queria tanto o carro que pediu não só um, mas dois. Assim a Singer se inspirou no 959 para elaborar duas unidades do estudo, que utilizam a base do 964, que são os carros usados nas produções da empresa.

Eles receberam suspensão de competição, com diferentes ajustes, assim como freios com enormes discos nas quatro rodas, pneus para uso fora-de-estrada, assim como um par de turbo-compressores instalados no flat six 3.6, que entrega 450 cv. Completa o conjunto, a transmissão sequencial de cinco marchas e sistema de tração integral.

Por dentro, o carro segue as determinações dos carros de competição da FIA. Bancos, cintos de segurança e reforços estruturais são correspondentes aos modelos de prova. O 911 de rali ainda conta com sistema de navegação GPS de competição e até mesmo bomba d’água para reidratação do piloto e navegador.

O 959

A história deste Singer segue o mesmo caminho do 959. Para quem não sabe, o Porsche 959 foi uma evolução do 930 (que era o 911 de segunda geração). Ele aproveitava a base do 911 Carrera 4 e adicionava uma carroceria mais aerodinâmica e ainda mais larga que o modelo original. 

Em princípio o 959 foi desenvolvido para correr no Grupo B da FIA, que era a categoria mais insana do Mundial de Rali. Para ser homologado eram necessárias 200 unidades de rua, com suspensão baixinha, mas com o mesmo motor e tração integral.

Para dar conta do Grupo B, o 959 recebeu dois turbos que elevaram a potência do boxer 3.6 para os mesmos 450 cv do Singer. Em janeiro de 1986 o bólido estreou no Paris-Dakar e venceu o rali. Mas sua carreira no Grupo B não deslanchou. Quando o 959 ficou pronto, a FIA extinguiu a categoria, devido ao excesso de acidentes e fatalidades. 

Mas a Porsche não desistiu do modelo e preparou uma versão para correr nas 24 Horas de Le Mans, batizada de 961, que derivava do modelo de rua. O 959 ficou em linha até 1993 e até hoje é considerado como um dos Porsches mais viscerais da história, com quase 400 unidades construídas. 

E voltando ao Singer All-terrain Competition Study, a marca californiana deixa claro que carro foi elaborado para poder disputar provas de categoria Baja 1000 e até mesmo o Rali Dakar. Alguém duvida de que ele não correrá em 2022 no maior rali do mundo?